10 ANOS DO PARQUE CULTURAL O REI DO BAIÃO

17 fev 2017

Por Severino Coelho Viana

O Estado da Paraíba reúne um rico acervo cultural, marca de sua história e de seu povo, que contribuiu eficazmente para a preservação da cultural brasileira. A cultura paraibana, particularmente, está fincada em origens ibéricas, africanas e indígenas, e, evidentemente, tem ganhado as suas especialidades no decorrer do tempo.

As suas ramificações são diversas nas suas formas de manifestação: a música, a dança, o folguedo, o teatro, a literatura oriundos da imaginação e da criatividade popular. A cultura paraibana, às vezes, sem o apoio de órgãos governamentais, é fortalecida e preservada pelo esforço aguerrido por homens e mulheres de vocação e espírito culturais.
As danças folclóricas mais exponenciais no Estado são diversas, por exemplo, da nau-catarineta, do bumba-meu-boi, do coco-de-roda, do xaxado, da ciranda, do pastoril e das quadrilhas juninas. Todas elas são cultivadas pelos paraibanos durante todo o ano. Algumas ganham notoriedade nos períodos carnavalescos e durante as festas juninas.

Não podemos esquecer o caráter de ousadia e abnegação para manter a chama viva dessas expressões culturais que muitas delas ganham vida a partir de comunidades carentes e produtores culturais esforçados. E esta história tem continuidade com a descoberta e preparação de novos artistas para manutenção da tradição cultural, formando um arco de extensão geográfica de Cabedelo à Cajazeiras.

Este nosso artigo traz como tema central parabenizar os 10 (DEZ) ANOS DE FUNDAÇÃO DO PARQUE CULTURAL O REI DO BAIXÃO, precisamente criado no dia 20 de agosto de 2007, cujo objetivo é manter, divulgar, incentivar e promover a riqueza cultural e ambiental do sertão paraibano, uma região pouco conhecida dos grandes circuitos turísticos, localizado na Comunidade São Francisco, Município de São João do Rio do Peixe.

Esta iniciativa arrojada nasceu da brilhante cabeça do curador: FRANCISCO ALVES CARDOSO, o nosso conceituado Chico Cardoso, advogado, professor, escritor, teatrólogo, radialista, jornalista, memorialista e produtor cultural. É um baluarte defensor da cultura paraibana, é um autêntico guerreiro que sempre está de escudo erguido para orgulho da cultura sertaneja. A Paraíba lhe deve muito pelo o que diz e o que faz. E São do Rio do Peixe agradece pelos seus grandes feitos.

A ideia brilhante se corporificou quando batizou o parque cultural “O REI DO BAIÃO”. Justificando. Mas quem é o Rei do Baião?

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu na fazenda Caiçara, no município de Exu, no dia 13 de dezembro de 1912. Aprendeu a ter gosto pela música ouvindo a execução da sanfona de oito baixos do seu pai Januário José dos Santos e a apresentação de músicos populares nas feiras livre e nas festas religiosas. Aos sete anos, muda-se com a família para o centro urbano de Exu, passando a acompanhar o genitor como sanfoneiro auxiliar. Além de lavrador, Januário era músico respeitado na redondeza. Assim, ao lado do pai, com apenas 12 anos, Gonzaga já animava sambas, em vários locais do Sertão do Araripe. Com 12 anos de idade, com o auxílio do coronel Manoel Alves de Alencar, compra a sua primeira sanfona de oito baixos. A partir desse momento, com vocação para a música passa a ganhar semelhante ao que o pai ganhava para animar os bailes em Granito, Baxio dos Doidos, Rancharia e Cajazeira de Faria. Aos 17 anos de idade, um namoro frustrado com a filha do coronel Raimundo Delgado, que não permitia o namoro de sua filha com o jovem sanfoneiro, daria início a uma mudança radical na vida de Luiz Gonzaga. Revoltado, após levar uma pisa da mãe, por ter ameaçado o coronel de morte, ele foge de casa, caminhando a pé até o Crato, onde vende a sanfona e viaja para fortaleza, alistando-se no Exército Brasileiro como recruta do 23º Batalhão de Caçadores, em plena Revolução de 1930. Nessa condição, viaja por todo o País através do 23º Batalhão de Caçadores do Exército, onde recebe a alcunha de “bico de aço”, por tornar-se exímio corneteiro. De passagem por Juiz de Fora, conhece Domingos Ambrósio, que lhe ensina a tocar sanfona de 120 baixos. Licenciado do exército, em 1939, migra para o Rio de Janeiro, onde fez de tudo um pouco, inclusive tocar em bares de beira de cais. Por um grupo de estudantes cearenses foi aconselhado a tocar as músicas do Nordeste, o que lhe rendeu os primeiros prêmios nos concorridos concursos de calouros das emissoras de rádio, no final da década de 1930. A vida de Luiz Gonzaga é a existência de um artista que, desde pequeno, ao ver o pai consertar velhas sanfonas conforme suas próprias palavras, com o anseio de ser músico popular um dia, de ser capaz de empolgar as multidões. Sonhava, num quase delírio, com uma noite de glória, com um terno novo de brim, alpercatas pelas ruas, para que o vissem bem trajado, com a sanfona nova pendurada no pescoço, todo mundo admirado. E ganharia fama. Seria chamado para outros lugares, para outras cidades maiores sem esquecer o seu Torrão nordestino. O primeiro trabalho fonográfico de Luiz Gonzaga foi gravado pela RCA, em 78RPM, contendo as músicas Véspera de São João (mazurca); Numa serenata e Saudades de São João Del Rei (valsas); Vira e Mexe (chamego). Em 1943 conhece Pedro Raimundo, sanfoneiro catarinense, que estreia na Rádio Nacional, com roupas de gaúcho. Inspirando-se nas vestimentas dos pampas, passa a apresentar-se vestido de nordestino e a cantar com a sua própria voz. Lança mariquinha (em parceria com Miguel Lima) foi o seu disco de estreia. Com o sucesso desse primeiro trabalho, procura trabalhar mais a cultura do nordeste nas suas composições. É nesse momento que realiza parceria com o advogado e compositor Humberto Teixeira, com quem compõe dezenove músicas, que viriam a se tornar, em sua maioria, clássicos nordestinos, a exemplo da Asa Branca, nascida das lembranças de uma das músicas cantaroladas pelo pai. Luiz Gonzaga tornou-se um símbolo do País, quando o baião passou a ser um dos estilos musicais mais tocados no Brasil, entre os meados das décadas de 1940 e 1950. E ainda hoje um estilo musical que em qualquer lugar do mundo é reconhecido como brasileiro, tanto quanto o samba. As representações musicais e simbólicas do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga, no cenário da cultura nordestina e seu registro enquanto patrimônio cultural imaterial brasileiro serve de exemplo de vida para o povo do sertão. Estas representações musicais e simbólicas de Luiz Gonzaga, além de seu registro enquanto patrimônio cultural imaterial. Gonzagão é um dos artistas mais regravado, estudado e biografado da história da música popular brasileira. O legado deixado pelo Rei do Baião vai muito além da inovação do baião, ritmo que o consagrou e o popularizou. Ele compôs e criou arranjos nos mais variados ritmos, entre valsas, tangos, choros e foxtrotes. O Repertório de Luiz Gonzaga, o reconhecido autêntico forró, cabe em qualquer lugar e é aplaudido por todas as gerações do passado e do presente.

Pois bem! No período de 10 (dez) anos de existência, esta entidade já realizou IX FESMUZA (Festival de Músicas Gonzagueanas), evento cultural que recebe a visita de sanfoneiros de vários recantos do Brasil e tornou-se um instrumento revelador de novos talentos.

A nossa palavra de reconhecimento ao dinâmico e talentoso, Chico Cardoso, renomado produtor cultural, vem realizando um trabalho cultural digno dos nossos aplausos, frente ao Parque Cultural “O REI DO BAIÃO”, destacando-se em prol do desenvolvimento cultural da Paraíba nos seguintes ramos: organização de shows, exposições de arte, montagem de peças teatrais, espetáculos de dança, música, encontros literários, programas de rádio, produção de conteúdo para sites e blogs, produção de conteúdo para internet, assim podemos chamá-lo de um verdadeiro incentivador de políticas públicas culturais.

Por tudo que o nosso estimado amigo, FRANCISCO ALVES CARDOSO, tem feito pela manutenção e preservação da cultura paraibana, deixamos a nossa palavra de agradecimento, acompanhado de um caloroso abraço nesta festa de celebração.

João Pessoa – PB, 15 de fevereiro de 2017.

SEVERINO COELHO VIANA
scoelho@globo.com

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