11° Aniversário de Morte de Wilson Nóbrega Seixas

11 mar 2013

WILSON SEIXAS, 11 ANOS: CHAFURDOU NO LIXO MORREU E RESGATOU A HISTÓRIA DE SUA ALDEIA.

Clemildo Brunet*

Pode parecer hilário o título desta coluna, mas o fato é que, nem o Ministro e nem outra autoridade desse país mandou o historiador WILSON NÓBREGA SEIXAS ir chafurdar no lixo para repor e colocar em ordem a história do Município de Pombal desde sua fundação à descoberta das três datas significativas da nossa urbe.

Racionando direitinho lembro-me de um comentário feito em uma de minhas colunas, pelo cidadão Jório Eduardo Maia, taquígrafo da Assembleia Legislativa da Paraíba: “A conservação da memória cultural, humana e espiritual é fundamental para preservação da identidade de um povo. parabéns Clemildo Brunet de Sá”.

Wilson Nóbrega Seixas

Parabéns a WILSON NÓBREGA SEIXAS que não mediu esforços indo até as últimas consequências. Chegou a admitir com muita propriedade, ter errado, quando das informações no seu livro “O Velho Arraial de Piranhas” em 1962, pela gráfica A Imprensa.

Noutra ocasião em outra revista do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), lançada nos quinhentos anos do descobrimento do Brasil, ele voltou a tratar do assunto.

Mesmo com a saúde abalada, WILSON NÓBREGA SEIXAS, grande estudioso, ficou cada vez mais frágil quando pegando em documentos de arquivos de cartórios e câmaras (chafurdando no lixo literalmente) adquiriu fungos e o trabalho tornou-se árduo e cansativo e já não atendia a necessidade de seus anseios. Vindo a falecer no dia 11 de março de 2002 na capital João Pessoa e sepultado em Pombal.

Porém, sua vontade a todo custo era reeditar “O Velho Arraial de Piranhas”, conseguindo o intento e lançamento póstumo, contando com seus amigos também escritores e pesquisadores: Verneck Abrantes, Evandro Nóbrega e Jerdivan Nóbrega de Araújo.

O compêndio sobre WILSON NÓBREGA SEIXAS de autoria de Luiz Hugo Guimarães traz uma declaração curiosa: “Wilson continuou grudado a velhos alfarrábios que trouxera de Pombal e adjacências, alguns papéis abandonados pela Câmara Municipal de Pombal no lixo, que com cuidado colocou em sacos de estopa, amealhando-os avaramente em sua residência para examinar posteriormente”. Pág. 15.

Se Wilson sacrificou a própria vida para ver sua obra certinha conforme as novas pesquisas que empreendeu, certamente amava sua terra natal – disso não tenho dúvida!

UM APÊNDICE INDISPENSÁVEL SOBRE O HISTORIADOR WILSON NÓBREGA SEIXAS.

Evandro da Nóbrega
POR EVANDRO DA NÓBREGA.

O Velho Arraial de Piranhas

A contribuição de Wilson Nóbrega Seixas provém especialmente (mas não exclusivamente) da segunda edição de seu livro O velho arraial de Piranhas (Pombal, lançado originalmente em 1961, pela gráfica do jornal A Imprensa de João Pessoa — mas completamente reformulado pelo próprio Autor, numa reedição que, a seu pedido, tivemos a honra de coordenar e editar). Essa segunda edição é a que se deve levar em conta, pelo que a seguir se esclarece.

Nos últimos anos de vida, Wilson afligiu-se enormemente por constatar erros factuais e de interpretação. Em sua principal obra. Chegou a entrar em depressão e, por intermédio do desembargador Raphael Carneiro Arnaud, convidou-nos para um entendimento sobre como publicar uma edição aumentada, corrigida e definitiva de O velho arraial de Piranhas.
Colocamo-nos à sua inteira disposição — e, juntamente com ele, em seu computador, fomos pacientemente revisando toda a obra, até chegarmos a um texto final satisfatório. Mas Wilson faleceu sem poder lançar seu livro, cuja edição já estava totalmente pronta e acabada. Seu falecimento ocorreu a 11 de março de 2002, em João Pessoa, aos 86 anos de idade e com 37 anos de atividades no IHGP, onde ocupava a Cadeira nº. 15, cujo patrono é Fernando Delgado Freire de Castilho.

Em Pombal Wilson Seixas exerceu a cátedra como professor da Escola Normal “Arruda Câmara” e do Colégio Diocesano. Na área de sua atividade profissional (Cirurgião Dentista) fundou a Sociedade de Assistência Dentária à Maternidade e à Infância.

Gostava de preservar o patrimônio histórico de sua cidade. Certa vez junto ao Instituto Histórico e Geográfico Paraibano do qual era membro, lançou veemente protesto contra a pretensa demolição da antiga Cadeia Pública de Pombal obtendo como resultado a preservação desse bem histórico onde foi fundada a “CASA DA CULTURA DE POMBAL” em julho de 1989.

Zélia Seixas
QUEIXA DA VIÚVA…

“Entristeço-me por saber que não tem nada em homenagem a Wilson! Eu perdi o meu marido, que deu a vida revirando aqueles livros antigos para escrever o Velho Arraial de Piranhas, no centenário de Pombal – PB, e Pombal em nada o prestigiou”. Zélia Carneiro.

Pombal, 11 de março de 2013.

11° ANIVERSÁRIO DE MORTE DE WILSON NÓBREGA SEIXAS.

*Radialista, Blogueiro, Colunista
brunetco@hotmail.com
Twiters @clemildobrunet e @brunetcomunica
www.facebook.com/clemildo.brunetdesa
www.clemildo-brunet.blogspot.com

Comentários