A BASE DA CHINELA

17 jul 2018

Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 10 de junho de 2011

         Nas décadas de 1950 a 1970, o município de Sousa assistiu os atos de bravura cívica, de inteligência, de movimentação política e criatividade em todos os setores das atividades sociais, de José Pordeus e Silva, conhecido popularmente como “Zu Silva”.

         Um orador convincente, de atuação constante no Fórum e nos Tribunais do Júri, já que era Rábula. Exaltado pelo vozeirão participava ativamente de todas as campanhas eleitorais do município.

         No ano de 1959 foi candidato a vereador, pela primeira vez, pela UDN, mas não conseguiu se eleger. Em 1962 foi mais ousado, disputando uma vaga de deputado estadual pelo PSB, também não conseguindo êxito. Em 1963 disputou a vice-prefeitura de Sousa, na chapa do médico Laércio Pires de Sousa, do PSD, também não ganhou o pleito. Em 1968, Mariz o colocou como candidato a vice-prefeito na chapa de Geraldo Abrantes Sarmento, sendo novamente derrotado. A sua última participação como candidato a cargo eletivo aconteceu em 1972, quando disputou a prefeitura, com mais uma derrota.

         Zu era um populista nato, nunca possuiu riqueza, nasceu no Curralinho, do município de Sousa. Ficou notabilizado pelo espírito jocoso, já que gostava muito de andar de paletó, gravata e de chinela, com um lenço ao pescoço.

         Um dos momentos mais importantes, discutidos e admirados de Zu Silva foi a sua crônica semanal intitulada “Isto, Isso e Aquilo”, levada ao ar todas as sextas-feiras, às 19:00 horas, pela Voz da Cidade, de Gastão Medeiros. Nessa crônica ele falava de todas as coisas boas e ruins da cidade. A partir das 18:00 horas, o povo começava a se concentrar nas calçadas, perto de onde tivesse um alto-falante da Voz da Cidade, para ouvir as declarações de Zu. Assisti a quase todas suas crônicas, sentado no Patamar da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios. Que tempo gostoso e animado que nos foi proporcionado pelo grande Zu Silva.

         Em 1963, Zu resolveu romper com os poderosos políticos de Sousa, criando a “Base da Chinela”, chamada assim para diferenciar as correntes políticas dos pobres e dos ricos. Formou uma chapa tendo Zé Vieira para prefeito e ele próprio para vice. Uma música por ele escrita incendiava a campanha: “Isso é coisa verdadeira (bis), o patrão do pobre é Deus. Prefiro, pois Zé Vieira (bis) e também José Pordeus. Sou da chinela, de todo coração e vou provar no dia da eleição. Ai, nesse dia, não é brincadeira, eu vou votar em Zu e Zé Vieira”.

         Essa chapa não chegou ao final da campanha porque Antonio Mariz convenceu Zé Vieira a ser o seu vice, enquanto que Zu foi o companheiro de chapa de Dr. Laércio Pires.

         Foi Secretário da prefeitura de Sousa nos governos de Antonio Mariz e Clarence Pires de Sá.

         A “Base da Chinela” ficou famosa em Sousa, pela popularidade da campanha e pela maneira como Zu introduziu esse slogan nos meios populares. No entanto, morreu sem o sabor de uma vitória política.

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