A DAMA DO CAPANEMA

8 maio 2018

Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 13/09/2016

 

Tive a felicidade de conhecer Julieta na década de 1950, na cidade de Sousa-PB. Iniciei uma tímida amizade com a mestra, que depois se tornou maior, passando a reconhecer o valor profundo na cultura e educação da minha querida cidade sousense.

Ainda muito jovem, vi Julieta fazendo parte do coro religioso da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, cantando as grandes solenidades da nossa padroeira.

Tive a felicidade de ver o vitorioso momento do lançamento do livro “Antes que ninguém conte”, de autoria daquela famosa escritora, campeão de venda em todo Estado da Paraíba.

Nasceu, cresceu e viveu sem ter nem um inimigo, apesar do seu pai Felinto da Costa Gadelha ter sido político militante em Sousa, eleito prefeito em 1955, tendo como vice o Dr. Otávio Mariz.

Vi Julieta no centro de treinamento de professores de Sousa assistindo peças teatrais, montadas pelo Teatro de Amadores de Sousa, o famoso TAS, que encantou a cultura sousense por muitos anos.

Vi Julieta nos campos históricos da educação, transmitindo o aroma sempre perfumado do amor pelas artes na “Terra de Bento Freire”.

Era Julieta a rainha do Alto Capanema, onde morava com a solidão, a companheira que ela adorava: “De dia, de noite e no pingo do meio-dia”, como diz um ditado popular.

Seguindo a voz de Nelson Gonçalves, Julieta morreu sem deixar inimigo nenhum. Deixa o casarão do Alto do Capanema na mais profunda solidão, esperando a cada momento o retorno da rainha da simpatia e humildade, para que Sousa tenha um sorriso bem maior e mais vitorioso.

Ao chegar aos Céus, os anjos cantaram um hino da corte celestial, homenageando a santa mulher sousense, que distribuiu a paz em todos os recantos da cidade.

Não sei se digo adeus ou se digo até breve, porque acredito que os anjos lhe devolverão ao Capanema num lindo andor coberto de rosas brancas, simbolizando a pureza e a obediência a Jesus.

E que venha toda vestida de branco, simbolizando também o musical do Bando do Céu, com os mestres Expedito e Zé de Tozinho, uma irmandade musical que já está tocando no firmamento para Jesus e Maria, distribuindo amor na Cova da Iria, em obediência a Virgem de Fátima, sua eterna protetora, fazendo do seu reino um campo festivo da alegria e da música, sob a batuta do famoso Dr. Nias Gadelha.

Oh!, Julieta, diga aos santos e aos anjos que nós estamos chorando por você, mas também nos alegrando com seus cânticos celestiais nos gabinetes da santidade, que acabam de demitir o maestro oficial para que você assuma esse comando que foi de Sousa e do Capanema e agora foi nomeada para o azul dos céus.

Oh!, Julieta, tenho certeza que a alegria no Céu é grande com a sua chegada, e os grandes astros da música e da cultura lhe festejam: Ariano Suassuna, Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Padre Cícero, Frei Damião. E até Lampião se orgulha e pede perdão pelos erros cometidos.

Viva a rainha de Sousa, da Terra e dos céus. Ela chama-se Julieta Pordeus Gadelha.

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