A Ditadura Militar nas reflexões de um sacerdote católico (Parte II)

4 abr 2017

padre manoel vieira guimaraes
Padre Manoel Vieira Guimarães

Muita reação ontem e hoje com relação à postagem que eu fiz sobre a Ditadura Militar e a defesa que alguns fazem, defendendo-a como solução para o nosso problema político atual.

Uma das “justificativas” foi a luta armada que surgiu como única alternativa para se retornar ao Estado de Direito. Houve, de fato, sequestros, morte, terror. Não foi a melhor saída. Mas para muitos era a única maneira de enfrentar a truculência dos militares. Eu, pelo menos, prefiro as vias pacíficas.

Muitos padres, bispos, freiras e agentes de Pastoral foram chamados de “Comunistas”. Nem o Papa Paulo VI escapou.

Nos 50 Anos da sua Encíclica “Populorum Progressio”, Gianni Valente, no dia 26/03/2017 escreveu:

“Com a linguagem da teologia católica mais consolidada, Paulo VI também

• encara a possibilidade histórica de que a raiva pela injustiça e pela exploração possa provocar insurreições violentas: a avareza obstinada dos ricos não poderá senão suscitar “o julgamento de Deus e a cólera dos pobres, com consequências imprevisíveis” (n.49).

• A insurreição armada, embora indicada como fonte de novas injustiças e ruínas, é justificada “no caso de uma ditadura prolongada que atente gravemente contra os direitos fundamentais da pessoa e prejudique de forma perigosa o bem comum do país”.

A mesma possibilidade já tinha sido reconhecida e justificada, nos mesmos termos, por São Tomás na Summa Theologica.

Assim, citando São Tomás e os Padres da Igreja, Paulo VI quebrava o dogma cultural dos tempos modernos segundo o qual a defesa da Tradição, na Igreja, deveria coincidir necessariamente com uma visão cultural e política “de direita”. O Papa lombardo repetia que a preferência pelo pobre, até nas suas consequências “subversivas”, é uma escolha de Deus, inscrita no mistério da sua predileção”.

O problema é que muita gente chama qualquer um de “comunista” e com um sentido fortemente pejorativo.

Aconselho, então, a antes de falar e escrever sobre este assunto, se informar primeiro.

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