A História da Passagem de Lampião pela Região Oeste Potiguar e a Possível Invasão a Patu. Por: Aluisio Dutra de Oliveira

10 mar 2018

A História da Passagem de Lampião pela Região Oeste Potiguar e a Possível Invasão a Patu.

A passagem do bando de Lampião pelo Rio Grande do Norte causou muito sofrimento e revolta nos moradores dos pequenos lugarejos que sentiram na pele a sua perversidade. Segundo matéria publicada pelo portal G1, sobre passagem de Lampião por terras potiguares, conta que na madrugada de 10 de junho de 1927 Lampião e seu bando entravam em terras potiguares. Eles chegaram pela Paraíba, cruzaram a divisa e apearam-se em uma casa que fica no sítio Baixio, no pé da Serra de Luís Gomes-RN. Quando amanheceu o dia os cangaceiros se embrenharam na caatinga, galoparam por veredas, saquearam fazendas e fizeram prisioneiros várias pessoas. Passaram pela Fazenda Nova, onde hoje é o município de Major Sales, e fazenda vizinha, a Aroeira, onde hoje é a cidade de Paraná, onde fizeram reféns e provocaram desordens.

“A passagem do bando de Lampião pelo RN está qualificada como banditismo, pois tem casos de assalto, assassinato e uma novidade que até então não tinha aqui que era o sequestro”, explicou o pesquisador Rostand Medeiros que já fez o mesmo trajeto de Lampião no RN algumas vezes. No dia 10 de junho de 1927 o grupo chegava na Vila Vitória, território que hoje pertence ao município de Marcelino Vieira onde praticaram arruaças e terror. A notícia de que o bando estava invadindo propriedades na Vila Vitória mobilizou a força militar. A polícia juntou homens para enfrentar os cangaceiros. O combate aconteceu no local onde hoje é o açude de Marcelino Vieira. Depois de provocar terror em Marcelino Vieira o bando não demorou para chegar ao povoado de Boa Esperança, local onde hoje é o município de Antônio Martins. O ataque aconteceu em frente a igrejinha da comunidade onde acontecia a festa de Santo Antônio.

Em vez de recepcionar a banda de música para a novena do padroeiro os devotos foram surpreendidos com a chegada dos cangaceiros que bagunçaram as casas, saquearam o comércio, quebraram melancia na cabeça do dono e acabaram com a festa”, contou o historiador Chagas Cristóvão.

O principal comércio da época ficava ao lado da Igrejinha. O prédio ainda guarda as características de antigamente. Relatos dão conta de que na tarde do ataque o bando só foi embora depois que uma senhora implorou. “Atendendo ao pedido de Rosina Maria, que era da mesma terra de Lampião, o bando deixou o vilarejo e seguiu rumo a Mossoró.”, concluiu o historiador.
No dia 11 de junho o bando entrava na Vila de Lucrécia onde continuaram fazendo maldades. Uma das casas invadidas na Fazenda Serrota continua preservada. Na janela estão as marcas de tiros e nas paredes os retratos daqueles que estiveram frente a frente com Lampião. Fizeram prisioneiro um fazendeiro onde teria sido levado por uma estrada de terra onde hoje é a RN 072. Os cangaceiros pediram dez contos de reis para poder soltar o mesmo.

Um grupo de mais de dez homens foi até lá pra tentar salvar Egídio, mas foi surpreendido por uma emboscada. Três homens acabaram mortos.”, relatou a pedagoga Antônia Costa.
No local do massacre foi construído um monumento em homenagem aos homens. Em Lucrécia eles são reconhecidos como heróis, enfatizou a pedagoga.

O bando seguiu desafiando a caatinga. Os rastros de destruição ficavam pelas propriedades. Na manhã do dia 12 eles entraram na Fazenda Campos, onde hoje é território de Umarizal. Na casa grande, que estava abandonada pelos donos amedrontados, eles ficaram pouco tempo até pegarem a estrada novamente. Uma marcha que parecia não ter fim.

A notícia que o bando de lampião estava na região e poderia passar por Patu se espalhou vindo das bandas de Lucrécia onde o terror tinha tomado de conta. O chefe da intendência de Patu era o senhor Joaquim Godeiro da Silva que formou dois grupos para defender a população do ataque de lampião. Um grupo ficou localizado na entrada de Patu, entrincheirados nas proximidades do sítio Manuê, formado pelas seguintes pessoas: Joaquim Godeiro Sobrinho, soldado Abdon, José Godeiro da Silva, João Caipora, José de Almeida, Almino Bento e João Inácio.

Outro grupo ficou entrincheirado próximo a usina de Alfredo Fernandes no bairro da Estação. Os moradores ficaram apavorados com a possibilidade dos bandidos​ cangaceiros passarem por Patu. No santuário do Lima o medo era grande também pois correu a notícia que lampião e seu bando viriam ao Lima. O padre Geraldo Van de Geld assombrado com as conversas​ do povo tratou logo de esconder os vários litros de vinho canônico utilizado nas celebrações. O padre enterrou dezenas de garrafas de vinho em determinado local. Depois de vários dias que ele soube que Lampião e seu bando já estavam pelas bandas de Mossoró, o padre foi desenterrar as garrafas de vinho e para a sua surpresa muitas delas estavam vazias pois as formigas e outros insetos comeram as rolhas de cortiça das garrafas e o vinho foi bebido pela terra.

Em Patu, depois que circulou a notícia que Lampião tinha mudado o trajeto, ou seja, seguindo por outro caminho até chegar a Mossoró foi um alívio para a população. Em Mossoró Lampião e seu bando encontraram os heróis da resistência, liderado pelo chefe político Rodolfo Fernandes, onde combateu Lampião e seus cabras onde o mesmo bateu em retirada depois de uma chuva de balas.

Fonte:

https://g1.globo.com/…/a-trilha-do-cangaco-no-rn-cidades-gu….

Revista Roteiros de Patu. Editor Miguel Câmara Rocha.
A Folha Patuense. Editor Aluísio Dutra de Oliveira.

 

Aluisio Dutra de Oliveira

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