A ideia das casas de farinha enquanto herança dos indígenas e as inovações tecnológicas implementadas pelo colonizador português

28 jun 2017

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Rita de Cássia Rocha (1)
José Romero Araújo Cardoso (2)

Herdamos a ideia da casa de farinha dos índios tapuias, os quais haviam introduzido o produto na alimentação há mais de quatro mil anos antes da chegada do colonizador português.

Faz-se necessário ressaltar que o processo de fabricação da farinha de mandioca que nós ainda usamos hoje é bem diferente do que os indígenas usavam, pois era caracterizado pelo primitivismo de sua elaboração.

Por exemplo, os povos pré-cabralinos não tinham o ralador, ou catitiu, tendo em vista que não conheciam o ferro, beneficiado através de técnicas metalúrgicas. Os nativos pegavam a mandioca, colocavam dentro d’ água para pubar, depois quando a mandioca estava amolecida eles passavam em uma arupemba, depois colocavam para secar e espremiam aquela massa em um tipiti, pois também não tinham a prensa.

Duas inovações tecnológicas os colonizadores portugueses introduziram no processo de produção de farinha. A primeira foi o ralador e o outro foi a prensa. Desenvolveram a prensa para secar a massa da mandioca, tendo em vista que necessitavam de máquina que compactasse de forma mais intensa a manipueira para fazer escorrer todo, ou quase todo, o ácido cianídrico contido na massa de mandioca ralada no catitu.

Rita de Cássia Rocha (1) – Discente do Curso de Licenciatura em Geografia do Campus Central da UERN.

José Romero Araújo Cardoso (2) – Geógrafo (UFPB). Escritor. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UERN). Membro do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e da Associação dos Escritores Mossoroenses (ASCRIM)

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