A primeira grande obra de Maranhão e os novos desafios de Santiago

1 abr 2013

Há anos pavimentando sua carreira política sob o mito do “Mestre de Obras”, o ex-governador Zé Maranhão (PMDB) não gosta de ser acusado de inércia.  À frente do PMDB mais uma vez, assinou sua primeira grande obra nesta nova fase da legenda: a desfiliação do ex-senador Wilson Santiago, pai do deputado federal Wilson Filho.

Indiscutivelmente, uma perda para a legenda e para o projeto do ex-prefeito Veneziano Vital do Rego em disputar o governo do Estado nas eleições de 2014, dada a já comprovada capacidade de articulação política e eleitoral de Santiago.

No entanto, o que parece perda, para Maranhão é, como disse, uma grande obra. É um obstáculo a menos para Maranhão conseguir manter viva a chama de ser necessário numa chapa majoritária. Querendo ou não, a presença de Wilson Santiago era uma ameaça aos espaços do ex-governador.

Ao esticar a corda com o ex-senador, Maranhão limpou o terreno. Implodiu o edifício que atrapalhava sua visão. Ainda faltam outros alvos. Se os irmãos Vital do Rego permitirem, outros obstáculos serão “derrubados”, enfraquecendo lideranças e partidos aliados, a fim de que seu nome seja chamado novamente ao palco principal.

Afinal, Maranhão aprendeu a construir implodindo. Como disse Santiago em sua carta de desfiliação, divulgada hoje: “O Partido virou espaço para servir aos interesses de poucos, deixou de fazer política grande e se isolou em torno de vontades pessoais”.

Já Wilson Santiago vai poder respirar novos ares. Mas se no PMDB o problema é o tamanho de Maranhão. No PTB, o problema será a falta de tamanho. Pra se inserir numa chapa majoritária, Santiago vai ter que provar que o PTB tem capacidade pra agregar, em forma e volume, o projeto de quem quer que seja à disputa estadual. De uma forma ou de outra, com Santiago, o PTB volta ao jogo majoritário.

Luís Tôrres

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