A revolta do mundão

14 jun 2013

A REVOLTA DO MUNDÃO
Por Flávio Rezende*

As pessoas de bem neste recanto de canto planetário chamado Brasil andam acumulando estresses por uma série de acontecimentos pessoais e coletivos.

Muitas famílias ficam muito revoltadas quando observam criminosos que mataram seus filhos e/ou parentes, soltos devido a erros na formulação dos pedidos de prisão ou respondendo em liberdade devido a leis que mais parecem mães diante das monstruosidades eternizadas na vida de alguns.

Pagadores de impostos em geral andam muito chateados com os serviços públicos que são mantidos com estes recursos, pelo fato de não atenderem as mínimas demandas, causando perda de tempo, idas e vindas, falta disso e daquilo e uma série interminável de decepções em todos os níveis.

Usuários dos sistemas de transporte, saúde, educação, segurança contam aos quatro cantos desventuras nestes setores, todos carentes de operacionalidade e racionalidade, enervando, pirando e tirando a paciência de todos os cidadãos, independente de classe social e poder econômico, pois até os mais abastados dependem também do bom funcionamento das coisas relacionadas a estes setores.

Todos os problemas que ocorrem no cotidiano das pessoas geram no interior das mesmas, um esquentamento sanguíneo, levando-as a uma necessidade de publicitação da revolta, com uns utilizando as mídias sociais, outros saindo às ruas, outros procurando ouvidorias, Procons, imprensa e, até alguns partindo para decisões pessoais de caráter vingativo e igualmente criminoso.

A revolta do buzão começou em todo o Brasil com a intenção de atrair atenção da população, da mídia, das autoridades e dos empresários para a questão do aumento das tarifas e da melhoria no transporte público de várias cidades, mas, diante deste sentimento global de insatisfação com tantas coisas, está começando lentamente a migrar para uma revolta mais ampla, seguindo mais ou menos tendência mundial em movimentos que começam por um motivo e, enveredam por outros.

Não vou aqui me posicionar de maneira mais ampla sobre os muitos ângulos do assunto, tendo apenas a intenção de fazer o link desse movimento que agora fortemente reprimido, começa a ganhar corpo e atrair outros seres indignados com estas tantas coisas por ai, podendo ou não convergir para uma grande revolta que abrace todas as causas não devidamente resolvidas pelos poderes em geral e iniciativa privada.

Alguns empresários são louvados pela ousadia de empreender e ofertar empregos, mas, também são muito gananciosos e exploram os trabalhadores e as populações, podendo ter menos lucros e empresas mais humanizadas. O Ministério Público é saudado com carinho por suas investigações bem vindas, mas não se contenta com altos salários e busca auxílios disso e daquilo, afrontando a população empobrecida.

Políticos em geral agem egoisticamente, negociando votos e posições, traindo os sonhos de uma nação e, na soma de todos estes acontecimentos, um vulcão de indignação, de revolta, de raiva e de ódio, cresce e se forma, sendo natural que o magma condutor deste conjunto de chateações, aconteça em erupções por várias partes do Brasil, criando assim o solo fértil para a guerrilha urbana, formação de grupos políticos radicais o que, inevitavelmente, chama a reunião dos militares para decisões mais radicais, divisão da sociedade, conflitos filosóficos e ideológicos e, o caos instalado.

Se o governo não procurar resolver os problemas enquanto eles são pequenos, obrigando empresários a investir mais seriamente em seus ônibus, reduzindo impostos como já o fez, construindo paradas de ônibus dignas, dando condições para que parcerias sejam interessantes para todos na criação de metrôs, trens e resolvendo de vez este sério problema de transporte, a revolta do buzão vai virar a revolta do mundão e, no mesmo bonde, vão embarcar todas as revoltas, quebrando paradas e evitando assim, que a condução não tenha mais onde parar, até descarrilhar e, o País, mergulhado em caos, não tenha mais como sua nau navegar em águas razoavelmente calmas.


A repressão policial começa a aumentar potencializando os conflitos e atraindo mais revolta.


Nos conflitos alguém começa a violência, que não atrai a paz e sim mais violência da outra parte. Gandhi é apenas uma vaga lembrança.


Várias pessoas estão chegando a conclusão que as coisas só mudam se as insatisfações forem as ruas. Foto – Brenda Lívia.

·É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

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