A sinceridade do mendigo

31 maio 2013

A SINCERIDADE DO MENDIGO.
Autor: Geraldo Moreno Rolim

Fui andando meio sem rumo. Tentando matar o dia-santo-feriado.

Meio perdido, sozinho… pensamentos alados.

Olhava tudo ao redor, o frio torturava minha espinha, não era o frio de medo, era aquele frio de ventinho gelado tocando as costelas.
As arvores balançavam lentamente, como se sussurrassem entre si.

Os prédios altos, frios… pareciam se fechar ainda mais.

Nas ruas pouco movimento, deserto… como se todos tivessem fugido.

De repente a figura estranha de um homem me chamou atenção.

Sentado na calçada, maltrapilho. Suas roupas rasgadas realçavam seus traços, seus chinelos imundos expunham sua realidade.

Tinha olhos penetrantes, como se quisesse cortar a alma de quem o olhasse.

Me estendeu a mão, e com uma voz trôpega me pediu um trocado:

– É pra mim tomar uma pinga, moço.

Sua sinceridade me gelou.

– Por que você não me pede um café, retruquei.

Ele esboçou um sorriso meio irônico, e continuou:

– A pinga me esquenta moço, estou com frio. E se tivesse lhe pedido um trocado dizendo que era pra tomar um café, nesse situação que estou, o senhor acreditaria? Acreditaria não moço, o senhor ia pensar: vagabundo, me pede um trocado pra tomar um café e vai tomar uma pinga com certeza.

Fiquei parado… travado com tamanha sinceridade. E pensei:

Quantas vezes já me pediram dinheiro, dizendo que é pra ajudar vitimas de enchentes ou alguma obra social, e esse dinheiro tem outro destino.

Coloquei a mão no bolso tirei uma nota de real e dei ao pobre homem, e continuei meu caminho feliz… não  por ter feito uma boa ação, mas por ter aprendido uma lição:

A lição da sinceridade de um pobre mortal.

SP,05/2013

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