Ação e Palavra

9 maio 2013

AÇÃO E PALAVRA
Por Severino Coelho Viana

Cada palavra dita, muitas vezes, nós não sabemos o sentido real que quer dizer o eminente que fica nas entrelinhas, depende do gesto, da alteração ou da moderação da voz; do brilho no olhar, do sorriso afável ou maroto. Cada situação é preciso distinguir com perspicácia, pois a sutileza das palavras às vezes chega a ser hilariante.

Existem pessoas que adoram fazer o bobo da corte. É o palhaço que não tem circo, pulula de porta em porta. Agradar por agradar é o mesmo que dizer e não fazer, é uma coisa vaga, é um estado de submissão psicológico, é o medo do nada, é o desejo de satisfazer a outrem, é falta de sinceridade, é o interesse obscuro que está escondido por trás do véu da verdade.

As pessoas que não sabem dizer não, geralmente parecem ser mais gentis do que as outras. A negativa depende da forma como é pronunciada que termina sendo uma resposta positiva para os dois lados. O agradar somente para agradar é uma chatice. Mas que fique claro que não é bem assim. Você parece ser mais legal, porque acaba não contrariando ninguém, mas acaba enrolando a pessoa ou pedindo para outra dizer o não no seu lugar. É covardia pura.

É muito triste quando ouvimos uma resposta positiva de quem depositamos total confiança e no final das contas tudo não passa de uma mera ilusão. O prazer de iludir, a sensação de enganar, a vontade de fazer o mal. Mas não se deve desanimar por conta de meias verdades, pois coisas melhores virão. No momento fatídico nos causa espanto e vergonha de compartilhar do meio escabroso. Mas não existe vergonha em quem mente descaradamente. Quem vive de jogo sujo. Para este o anormal é o caminho do bem.

É muito importante que você consiga ser coerente com seus valores. Não é não. Sim é sim. Não seja cruel consigo mesmo e nem engane as pessoas dizendo “sim” quando seu sentimento está para “não”, no fundo você está se enganando. Você acaba se confundindo e nem você sabe o que quer. Muitas pessoas têm essa dificuldade, concordam quando queriam discordar. Esta dificuldade é falta de autoafirmação.

Na dinâmica do processo do viver da vida moderna, há que se cuidar para não ignorar o tênue limite entre agradar o outro e desagradar a si mesmo. É preciso aprender a encontrar o equilíbrio, cedendo e se impondo simultaneamente, num ritmo saudável e evolutivo.

Podemos conhecer o homem pelos seus atos. Suas palavras nem sempre condizem com suas atitudes. Seu caráter então está disfarçado, como lobo em pele de cordeiro.

O homem que reza, que fala de Deus, que se diz seguidor de seus mandamentos, mas não os aplica verdadeiramente em sua vida,  foge do caminho, se perde em suas imperfeições.

Falar é importante para ajudar e ensinar, mas dar exemplo pelos bons atos é mais importante ainda, porque todos nós sabemos que uma imagem vale mais do que mil palavras.

É por isso que o verdadeiro caridoso não se exalta, não grita a todos o que fez, porque ele sabe que tudo o que disser será usado como comparativo de suas ações, tudo o que disser será visto como uma propaganda de si mesmo.

A caridade deve ser feita, apenas isso, ela não precisa ser divulgada no sentido de se engrandecer o trabalhado caridoso, mas deve ser divulgada no sentido de abrir oportunidades aos que necessitem daquele trabalho.

Falar de Deus, falar de Jesus, citar versículo da Bíblia ou da Torá; falar de qualquer filosofia em nome do bem, mas não agir conforme seus ensinamentos é fingir ser bom e se manter incoerente com o que realmente se deve praticar.

Há quem diga “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, pobre deste que não sabe o mau exemplo que está dando. Palavras nos impactam muito menos do que gestos.

Amai-vos verdadeiramente, perdoai-vos verdadeiramente, não só pelos dizeres, mas sim pelo teu coração.

Como diz o ditado que se encaixe perfeitamente na lógica do nosso raciocínio: “o silêncio é ouro, a palavra é prata”.

João Pessoa, 08 de maio de 2013.

Severino Coelho Viana
scoelho@globo.com

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