Ainda há tempo

30 ago 2018

O tempo passou e a droga mostra-nos sua face impiedosa. O mundo cedeu lugar ao som metálico e estridente das balas das metralhadoras e dos AR-15. Esse é o som entorpecente, que transmudou a paisagem, onde o azul do céu foi substituído pelo vermelho sangue de vítimas inocentes, que adormeceu autoridades, pois assistiram o crescimento da maconha, do crack e da cocaína, permitindo que homens de bens ficassem reféns de um inescrupuloso mundo entorpecente.

No asfalto, onde moram os abastados, os filhinhos de papai, que em rodas da bacanagem usam e abusam das drogas, a realidade de conflitos e desagregação familiar não é distante daquela vivida por aqueles que moram na periferia. Vivemos um Brasil em que uma grande parte da juventude tem no seu cardápio diário o uso de drogas. Nas calçadas dos bons colégios, nas pistas de dança de boates requintadas, as drogas desfilam e sustentam a batida do som que alimenta e engorda cada vez mais os traficantes.

Não adianta querer cobrir o sol com a peneira. Não devemos temer o poder da pedra do crack. Aliás, quantas pedras são postas em nossos caminhos? Já disseram que no caminho de um homem existem muitas pedras, algumas fáceis de serem removidas, outras, contudo, constituem lápide sepulcral. Se a pedra do crack demonstra-se mortal, então, constitui um barato que sai caro.

A droga deve ser enfrentada numa ação conjunta e bem articulada das autoridades e de todos os segmentos da sociedade. Devemos priorizar ações voltadas para a cultura, esporte e a fé contida em todas as religiões, que de mãos dadas podem esquecer as divergências e se unirem para derrotarem um inimigo comum: a droga. Eliminá-la é construir um futuro digno e repleto de paz. Ainda há tempo, nunca devemos deixar de sonhar. Deus é grande!

Onaldo Queiroga – Juiz de Direito
onaldorqueiroga@gmail.com

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