Anos rebeldes

22 mar 2017

Toma essa, Brasil! Exclamava Emerson Fitipaldi na sua primeira conquista da fórmula 1, de um Brasil que ainda respirava amordaçado pela censura a toda a nação enferma e impedida de fazer grandes vôos…

Sílvio Santos e Chacrinha reuniam multidões em suas caravanas, enquanto que o rei Roberto já começava a colecionar os louros de uma carreira de super estrela! Eram tempos de festivais, onde um jovem ganhador, que atendia pela alcunha de Chico, abriu mão da primeira fila dos artistas premiados em favor de outra pérola de nossa MPB, a famosa “Disparada” na voz do eterno Jair Rodrigues, cada qual ficando com uma banda da premiação maior, enquanto que o cinema novo prosseguia a todo o vapor, sob a liderança de um jovem ousado e gênio, que precisaria apenas de uma ideia na cabeça e uma câmera na mão (Mas não na mão de qualquer um), na mão de um Glauber Rocha, rebelde e único.

Tempos de tropicália, com uma proposta de abrasileirar a nossa arte e tempos de uma bossa nova que começaria a importar e mostrar para o mundo o que de melhor teríamos, além de uma jovem guarda puxada por nosso rei Roberto Carlos e as namoradinhas dos domingos à tarde nas nossas tv’s em preto e branco.

Tempos de verdadeiros Golias, Mazzaropi, Grande Otelo e Oscarito, deixando um inestimável legado a tantos outros, também grandes, como um Chico Anísio, Jô Soares e a grandes trapalhões de nossas noites dominicais, tempos do Pasquim, Raul Seixas, Elis e Tom, Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Cauby Peixoto e Ângela Maria, dentre tantas outras estrelas de não menos brilho e grandeza… Tempos de um anjo de pernas tortas que redesenhou a arte de encantar o público com os seus pés mágicos, passando por um Rivelino, Jairzinho, Zito, Coutinho e um jovem que iria ter o mundo às suas mãos, quer dizer, aos seus pés, Edson Arantes do Nascimento entre milhares e um PELÉ sem ninguém à sua sombra!

Tempos de protestos, resistências e esperança num planeta mais justo e acolhedor, de uma nova reedição da batalha bíblica entre um Davi e Golias, na sangrenta guerra do Vietnam! Dos Hips, Hare Krishna e outros tantos novos talentos, enfim, um tempo que trouxe consigo retrovisores para que pudéssemos sempre rever a nossa história sem precisarmos olhar para trás…

adilson

Adilson Costa 25/09/2016

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