AO ARTISTA EDNALDO DO EGYTO

12 jul 2013

AO ARTISTA EDNALDO DO EGYTO
Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 12/07/2013

No ano de 1988, o inigualável Ednaldo do Egyto escreveu e publicou “40 anos do Teatro Paraibano”, com roteiro fotográfico da melhor qualificação e uma definição do amigo Alarico Correia Neto, que nunca fugirá da nossa imaginação: “Este roteiro é tão ednaldiano quanto o teatro que o seu autor cultiva”.

Ednaldo foi o professor de todos nós que temos vida no teatro paraibano. Quem não passou pela criatividade de Ednaldo, pelos ensinamentos do grande mestre, pelos conhecimentos cênicos dessa figura tão humilde quanto o Mestre da Divindade?

Ele disse na Introdução da obra “Este trabalho tem como finalidade e registro, embora parcial, da memória do teatro paraibano, através da exposição de fotografias, num levantamento que percorre desde a década de 50 até o ano de 1986”.

Viajando pelas principais cidades paraibanas, onde o teatro estava encravado com coragem e amor, Ednaldo relatou com fatos e fotos, começando pela “Rainha da Borborema”, afirmando: “Nas páginas dessa história, depara-se com Eneida Agra Maracajá, garantindo destaque para Campina Grande, com seus Festivais de Inverno”.

Ele falou forte a respeito da cidade de Areia: “Até parece ironia do destino a cidade de Areia, berço de grandes expoentes das artes, como Pedro Américo e José Américo de Almeida, dispondo da casa de espetáculos mais antiga da Paraíba, não tenha um movimento regular de teatro”.

A respeito da cidade de Sousa, minha terra natal, Ednaldo do Egyto narra fatos inesquecíveis: “A história do teatro de Sousa confunde-se com a do próprio Teatro de Amadores de Sousa (TAS) que, desde a sua fundação em 30 de julho de 1971, mantém-se organizado e operoso, suprindo até na falta de entidades específicas, as necessidades de outras áreas artísticas. Idealizado pelo então sindicalista Francisco Alves Cardoso – que continua na liderança –, o TAS tornou-se realidade com o apoio de Francisco Marques da Silva, Vanildo Mendes Vieira, Valdeci Marques da Silva e Francisca Justino da Silva. Não foi sem dificuldade que aconteceu a primeira montagem – ‘O Segredo da Confissão’ –, enfrentando o preconceito local contra o teatro. Tanto é que foi necessário o TAS recorrer a uma jovem de Nazarezinho para ser a atriz em seu espetáculo inaugural”.

Falou com determinação sobre o teatro nas cidades de João Pessoa, Cabedelo, Guarabira, Pombal, Cajazeiras, Alagoa Grande, e por fim apresentou um rico cenário de fotografias que a Paraíba guardará para sempre, nas páginas da história sonhada, vivida, amada, apresentada e escrita pelas mãos de ouro do maior dos amigos nossos nos campos das artes cênicas.

Devo muito a Ednaldo, pois quando viajava de Sousa a João Pessoa, ele recebia o TAS como um verdadeiro embaixador, ensinando os caminhos a serem seguidos, e até mesmo refeição fazia para os atores e atrizes do nosso grupo teatral.

Quando nasceu, Ednaldo já tinha o amor pelo teatro. Por isso, todos nós que fomos alunos seu falamos de homenagem a esse grande paraibano.

O “Caldeirão Político”, instituição de comunicação que completa em 2013, trinta e sete anos de trabalhos ininterruptos lança essa página de homenagem a esse homem justo, um dos maiores artistas que a Paraíba já concebeu.

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