Apanhado Taquigráfico da S.O. proferido pelo Deputado José Aldemir

17 abr 2013

APANHADO TAQUIGRÁFICO DA SESSÃO ORDINÁRIA
PROFERIDO PELO DEPUTADO JOSÉ ALDEMIR
REALIZADA NO DIA 16 DE ABRIL DE 2013.

Senhor presidente, senhoras e senhores parlamentares, telespectadores da TV Assembleia da Paraíba.

O Governador do Estado da Paraíba Dr. Ricardo Coutinho, está fazendo cumprir o asfaltamento de uma estrada no Sertão da Paraíba, que liga São José de Piranhas à Carrapateira, é um sonho desta gente alimentado durante muitos anos. A população neste final de semana que me fiz presente em São José de Piranhas, representado pelos vereadores da Oposição, da bancada de Oposição lá de São José de Piranhas, encabeçado pelo Vereador Eugênio Cavalcanti junto com Clóvis, Washington e Milano, os quatros me fez solicitar para que eu pudesse apresentar a Assembleia Legislativa um projeto de lei denominando aquela trajetória, aquela estrada de José Cavalcanti da Silva. Eu encaminhei já a Mesa, já está devidamente ¬registrado um projeto de lei sobre o nº 1.405/2013, que denomina a estrada PB-366, que liga a cidade São José de Piranhas  a cidade do Município  de Carrapateiras, de José Cavalcanti da Silva, nascido no Município de São José de Piranhas,  mas precisamente no sítio de Pinheiras, onde fez o seu curso primário. Seus pais o casal Manuel Cavalcanti da Silva e Dona Bernardina Soares de Sousa, ambos avós de minha esposa Paula Franssinete, José Cavalcanti casado com a professora Rosalina de Queiroz Cavalcant,i com quem teve José Bertânio, Bernânio e Maria Berlânia; que casou inclusive com Paulo Romero que é um dos servidores do Tribunal de Justiça, continuou os seus estudos  na cidade de Cajazeiras levado pelo Monsenhor Manuel Vieira, matriculado  no Colégio Salesiano Padre Rolim, iniciando o ginasial  que somente veio a concluir  em 1942, no Colégio Diocesano de Patos.

O SENHOR PRESIDENTE: (Deputado Domiciano Cabral)

Vossa Excelência tem a palavra. Vamos estabelecer três minutos para ele, faltava dois e pouco.

O SENHOR DEPUTADO JOSÉ ALDEMIR:

Faltava dois e pouco não deputado, faltavam quatro minutos.

O SENHOR PRESIDENTE: (Deputado Domiciano Cabral)

Então, eu vou dar cinco minutos para Vossa Excelência para não ficar reclamando da presidência da Mesa.

O SENHOR DEPUTADO JOSÉ ALDEMIR:

Continuando senhor presidente.

No colégio de Patos, onde concluiu o seu curso ginasial, ele prestou serviço tesoureiro e professor de História, mais tarde ingressou na política  partidária sendo eleito Deputado Estadual pela UDN, exercendo quatro mandatos consecutivos até 1963. Foi prefeito de Patos por cinco anos, quando teve os seus direitos políticos cassados no regime ditatorial. Retornou à política em 1986, como candidato a deputado estadual pelo Município de Patos e de São José de Piranhas, não conseguindo se eleger afastou-se definitivamente da política, fixando residência em João Pessoa. Cercado por poucos amigos passou a dedicar-se  a literatura escrevendo e falando das coisas do povo do Sertão, publicando os seus “causos”  nas páginas do Correio da Paraíba e do Norte. Assim  a cidade Patos, perdeu o mais autêntico de seus políticos. Mas, por outro lado, na época à Paraíba ganhou um grande folclorista. Foi membro do Instituto de Genealogia Heráldica da Paraíba; da Associação Paraibana de Imprensa; pertenceu ao Instituto Histórico
Geográfico Paraibano e à Academia Paraibana de Letras, onde foi recepcionado a 19 de setembro de 1981, pelo acadêmico Afonso Pereira, na casa de Coriolando de Medeiros, onde passou a ocupar a cadeira número 38 em substituição ao escritor patoense Nélson Lustosa Cabral, e representou  a vertente popular da literatura do nosso Estado. Diversos foram os seus artigos publicados na imprensa paraibana com o pseudônimo de Zé Bala, o Deputado Aníbal Marcolino tem conhecimento disso, inclusive através do seu sogro que é de Patos, cuja alcunha é herdada do seu avô paterno João Cavalcanti da Silva, rico fazendeiro no Município de São José de Piranhas, inclusive assumida sem constrangimento por vários descendentes daquele patriarca. Anistiado, José Cavalcanti retornou ao cenário político paraibano em 1986. E filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro lançou-se candidato à Assembleia Legislativa. A falta de recursos financeiros aliados a sua longa ausência do meio político fortemente refletiram na votação obtida no pleito realizado em novembro daquele ano. Com o passar do tempo à cidade de Patos havia esquecido o seu grande benfeitor e decepcionado com o desempenho à sua candidatura, o velho Zé Bala recolheu-se definitivamente à vida privada. Folclorista, memorista e poeta popular, José Cavalcanti da Silva era um espírito alegre e possuidor de uma memória invejável. Escrevendo utilizava um estilo próprio jamais visto e toda a sua vasta bibliografia possui cunho folclórico.

Em vida publicou vinte e seis livros narrando as histórias do povo sertanejo, entre eles citamos: Potocas, Piadas e Pilherias; Casca e Nó; Sem Pé e Sem Cabresto; Bisaco de Cego; Gaveta de Sapateiro; Espalha Brasas; Rabo Cheio; As Fofocas de Seu Zé; 360 Lorotas Políticas de Seu Zé; Pais Tolos; Filhos Sabidos; Sabedoria Popular; Um Setentão; Quengada de Matuto; Sertanejadas e Buscapé. Livros que reúnem um punhado de pequenas histórias que deliciaram grandemente os seus leitores, alguns de teor picante.

Patrono da cadeira número quinze do Instituto Histórico Geográfico de Patos, José Cavalcanti da Silva, era um homem puro e autêntico, que não escondia palavras. Com um estilo próprio, rico de linguajar popular descreveu e relatou fatos da vida sertaneja numa originalidade que somente era sua. E como imortal será sempre lembrado como um dos maiores folcloristas paraibano.

Concluindo senhor presidente, devo dizer que o Município de Carrapateira, na época Distrito, foi emancipado exatamente por propositura do ex-deputado por quatro mandatos José Cavalcanti da Silva (Zé Bala) e como ex-prefeito da cidade de Patos, um dos maiores líderes políticos do Sertão da Paraíba. Foi historiador político, administrador público, professor, folclorista, memorista e poeta popular. Portanto, invejável currículo deste sertanejo que orgulhou o seu povo e as suas origens.

Senhoras e senhores deputados, a síntese da bibliografia que antecede estas minhas palavras falam por si só e justificam o nosso propósito de denominar José Cavalcanti da Silva, importante estrada da região, exatamente torrão natal do ilustre homenageado e por onde transitou durante a sua infância. Destaca-se ainda que foi ele, seu Zé Bala, o responsável direto, como disse anteriormente pela emancipação política do Município de Carrapateira.

Concluindo, permitam caros colegas que seja satisfeito o anseio manifesto inúmeras vezes por expressivo segmento do povo da região perpetuando o nome  deste filho ilustre, repito orgulho do Sertão e que foi este anseio manifestado pelo Vereador  Eugênio Cavalcanti, sobretudo acompanhado dos seus colegas Milano, Washington  e Clóvis.

Era o que eu tinha dizer senhor presidente, a tempo que concluindo ainda, peço aos companheiros das comissões por onde vai passar este projeto que por reconhecimento ao valor deste homem aprovem por unanimidade. Quero receber o reconhecimento e o apoio de todos  aqui no plenário desta Casa.

Muito obrigado senhor presidente.

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