“Argemiro de Sousa: Fulgurante Jornalista de Pombal!”

19 fev 2013

Por Clemildo Brunet*

Certa vez em um artigo sobre o Centenário do Senador Ruy Carneiro, eu disse que ao se colocar o nome de um ilustre cidadão em qualquer logradouro público, devia-se dar conhecimento a população o que ele foi à história com o designativo de uma placa.

Pombal tem várias ruas que levam nomes de pessoas, mas, na sua maioria os que residem na cidade não sabem nada a respeito deles. Argemiro de Sousa por exemplo. Muito ouvido este nome desde os tempos áureos das difusoras no início da década de 40, nos reclamos comerciais quando se anunciava onde ficava localizada e continua até hoje a tradicional Farmácia Queiroga. Não estou afirmando se o nome da rua mencionada seja a mesma pessoa a que me refiro neste artigo.

O que ocasiona essa dúvida é a revelação feita pelo o Historiador pombalense Wilson Nóbrega Seixas, no seu Livro “O Velho Arraial de Piranhas” segunda edição revisada e ampliada à página 344 que diz o seguinte: “Inexplicavelmente, não há nada em Pombal, que faça lembrar essa figura singular, que muito honrou o nosso passado pelos dotes excepcionais de sua inteligência e pela afirmação de seu talento privilegiado, a não ser o nome que deram à Caixa Escolar Argemiro de Sousa, pertencente ao Grupo Escolar João da Mata, desta cidade, numa homenagem póstuma a esse legítimo representante de uma geração de moços idealistas e corajosos e produto também da mestiçagem formadora da nacionalidade brasileira”. Se na verdade é a mesma pessoa que tem o nome de uma Rua em Pombal, talvez por esquecimento, o timoneiro da nossa história deixou de fazer esse registro.

No Livro “Cidades e Homens” do historiador Celso Mariz, diz que Argemiro de Sousa, “era um rapazinho de Pombal, filho bastardo e pobre que, pela inteligência e pela pertinácia bem orientada na juventude, lograra as prendas sedutoras do espírito, a educação, a polidez e a cultura”. Veja bem que nesse tempo a Paraíba estava vivendo dias de agruras como prenúncio da batalha pela liberdade dos escravos. Argemiro de Sousa atuava de maneira brilhante e com galhardia como redator à frente do Estado da Paraíba, jornal que era editado na Província e que pertencia ao Partido Conservador. Epitácio Pessoa, Castro Pinto, Artur Aquiles e João Pequeno compunham ao seu lado a bandeira de luta pelos ideais republicanos.


Argemiro de Sousa formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais a 29 de novembro de 1889, pela Faculdade do Recife-Pernambuco. Além de exercer a profissão de Jornalista era conhecedor profundo de línguas e literatura. Falava de maneira correta e fluente, o inglês, o alemão e o latim. Conta-se que logo após a sua formatura veio a Pombal sendo recebido pela velha, sua progenitora; abraçando-a e beijando-lhe as mãos de modo carinhoso, o Padre José Ferreira de Sousa que chegava na ocasião, interrogou-lhe dizendo: Por que não lhe toma a bênção em primeiro lugar? No que prontamente Argemiro respondeu: Esta negra velha fez-me feliz, em virtude de ser eu o vosso filho.

O poeta e jornalista Argemiro de Sousa sempre esteve ao lado de Venâncio Neiva no Governo Provisório e batalhava decisivamente pela causa da escravatura. Quando este deixou o Governo em 1892, Argemiro embarcou para o Rio de Janeiro, pois havia encerrado o quatriênio do cargo que exercia na Justiça Federal.

Dizem que o principal motivo de seu embarque para o Rio foi à frustração amorosa de não casar com uma filha do ex-governador da Paraíba, Dr. Venâncio Neiva. O fato de correr em suas veias o sangue africano, fez com que a família não concordasse com o casamento. Tornou-se infeliz por não ter a mulher que amava ao seu lado, daí o lirismo de seus versos. Grito de dor contra a opressão do ambiente que o cercava.

DESPEDIDA À PÁTRIA

Adeus, eu quero abraçar-te,/ e de ti, me despedir,/ sob o peso da saudade,/Adeus; Adeus, vou partir! Eu sinto ao golpe da dor;/ minha alma se dividir;/ metade fica em teu seio,/Com a metade vou partir! Meu coração morreu cedo/ somente para não ouvir/ a dolorosa oração:/Adeus, adeus, vou partir! Adeus! Parentes e amigos,/ sócios nos prantos e no rir/ Adeus ruas, adeus templos,/Adeus, adeus, vou partir!

Argemiro de Sousa faleceu no dia 19 de dezembro de 1902, no Rio de Janeiro, após ter levado uma vida “boêmia triste para que descambara sem freio nem remédio”. (Pesquisa e adaptação: O Velho Arraial de Piranhas de Wilson Nóbrega Seixas)

Pombal, 19 de fevereiro de 2013

*Radialista, Blogueiro, Colunista.
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