Atormentada

26 fev 2013

ATORMENTADA

A lua prateada, cúmplice, misteriosa,
Tão feminina, no céu nebuloso, cinzento
De ruídos, sombras, estrondos, vozes…
Prelúdios de uma noite tenebrosa
Como a alma de uma mulher ferida,
Animal rejeitado, transmutado.
Ventanias… Neblina… Escuridão… Uivos
Na passagem do tempo…
Ah! E o morcego!
Esse monstro insensível,
Temível, nojento
Que na escuridão profunda
Abre suas asas enormes,
Tenebrosas como a noite de horror.
Horror do homem, do mundo, das coisas.
O horror acorda monstros adormecidos.
Raiva, mágoa, frustração, loucura.
Murmuração… Soluços…  Lágrimas…
Lamentos intensos… Gritos… Uivos
Sofridos, famintos, sedentos…
É a dor. Uma dor que não cala,
Que jamais silencia…
Morcego incansável
Sangrento, terrível,
Sempre faminto,
Rasgando o meu eu
Noite e dia.

Francisca Vânia Rocha

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