Bandidos das ruas de Pombal, década de 1960 – O velho Leonides

12 jul 2017

cadeia velha pombal

Seu Leônidas ou Leonides, era um negro, de baixa estatura que, pelo seu porte físico não chegava amedrontar ninguém, mas, trazia no seu histórico uma fama assustadora. Dizia-se na cidade que quando jovem era um perverso matador de aluguel.

Ele passava toda a manhã sentado em um tamborete do lado de fora da Cadeia, muitas vezes até com as chaves da carceragem no colo. Nos meus doze anos de idade, passei muitas horas ouvindo suas histórias, que nunca diziam respeito aos seus crimes.

Leonides era pai de Chico (Chico de Leonides), um pequeno agricultor que entregava leite nas residências de Pombal, inclusive na minha casa: os dois não se falavam muito embora fosse ele que levasse as suas refeições. Vi muitas vezes Chico chegar montado em uma mula, colocar uma sacola de tecidos com a comida e recolher a do dia anterior, sem que os dois trocassem uma única palavra.

Eu cheguei a assistir um dos Julgamentos do velho Leonides, no qual a sua pena somada foi de cento e quarenta anos de prisão. Na época ele devia ter cerca de oitenta anos de idade.

Naquela manhã o réu foi conduzido algemado da cadeia velha até rua Cel José Avelino, local onde hoje é a Câmara Municipal, para o julgamento, escoltado por quatro soldados, armados com velhos fuzis, seguido por uma procissão de meninos.

O curioso dessa condução ostensiva do réu é que, como eu falei antes, seu Leonides há muito tempo já não ficava encarcerado. Muitas vezes era ele quem abria a cadeia para a entrada de novos “inquilinos”. Também não tinha para onde fugir.

Talvez a proteção fosse para proteger o réu de atos de vinganças pelos muitos crimes que cometera quando jovem, mas, mesmo isso não era verdade, já que seu Leônidas chegava a cochilar do lado de for da cadeia, sentado em seu velho tamborete, exposto a sanha de qualquer parente das suas muitas vítimas.

Não sei o ano que ele morreu, mas acredito que chegou a viver até próximo dos noventa anos de idade, o que é uma façanha para um matador de aluguel, se é que de fato o era.

Os processos de seu Leonides encontram-se no cartório de Pombal a espera de alguém que os leia e conte a sua história com maior clareza. A minha narrativa é feita com base em resquícios da minha memória, já que nunca se escreveu uma linha a respeito dos seus muitos crimes, e o motivo que o levou a cometê-los.

Jerdivan Nóbrega Araujo

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