BOA NOITE!

9 set 2017

Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 09/09/2017

noite

Liberdade! Trabalho! Coragem!

Acredite se quiser. Não estou mentindo. As noites vivem. Elas voam. Cantam. Choram. Dialogam. Mudam de cor. Sofrem. São caridosas. Não fazem mal ao ser humano. Fazem bem aos animais. Dormem e livram os humanos dos males diários.

Eu amo a noite. Depois do primeiro sono acordo, acendo as luzes do meu quarto, ouço as “cantigas noitárias”, sento no meu escritório, apanho a caneta, peço licença e inicio os meus escritos.

Ela é mansa, bem amiga, corrige os meus erros, traz água para mim, autoriza o cântico dos bichinhos amigos e o meu trabalho é iniciado com absoluta tranquilidade.

Eu tenho um pacto com ela. Não atrapalho o seu momento solene de repouso. Escrevo os meus artigos e sinto os momentos do sono e do descanso.

Obedeço às ordens da invisível criatura de cores várias. Ela é valente. Se não lhe obedecer, ela castiga.

Cumpro meu pacto com a rainha da solidão. Ela me agradece. Apaga as luzes. E eu caio na rede para cumprir mais uma etapa da liberdade.

Esses são os momentos mais felizes da minha existência.

O dia é diferente. Gulodices. Choro, fuxico, mentiras, todo cheio de perversidade. O mundo dos irresponsáveis.

Eu prefiro a noite. A solidão é o amor verdadeiro. Não tem intriga nem ódio, desde que o ser humano fique em silêncio no seu solitário dormitório.

No outro dia começa a “infernalidade” do mundo falador da vida alheia, a corrida pelo vil metal, as mentiras do amor, os cânticos do homem mal. Enfim, tudo que é ruim.

A noite é escura. O dia é claro. Se o homem peca, ela castiga com a doença, geralmente lhe manda mais solidão.

Durante a noite eu tenho paz. Não engordo, pois não como, abro a boca e canto a minha liberdade, choro sozinho, não vejo feras, penso forte, mantenho a solidão e não converso com ninguém.

Minha santa noite, tua liberdade é eterna. Perdoe os meus erros. Não me deixe chorar. Eu sou uma criança, choro com a inocência dos seus habitantes e os santos do seu reinado.

Perdão! Estou pronto! No meu quarto, os silenciosos me olham e aguardam o momento do reencontro.

Eu não sei de mais nada. Só sei que é assim. Acordo no outro dia e vejo os diários dando aulas de fuxico. Eu entro no medo, canto e falo a eterna frase: perdão, Senhor!

E a noite espera. Proclama no momento oportuno: “você não tem jeito. Errou de novo!”.

O tempo está correndo. E eu também.

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