CAMPANHA DE 1968 EM MOSSORÓ

7 abr 2018

Por José Mendes Pereira

Em 1968 Mossoró teve o prazer de sediar a maior e mais falada campanha eleitoral de todos os tempos, e a eleição foi realizada no dia 15 de novembro de 1968. De um lado, como candidato a Prefeito, o agrônomo, professor, e um dos maiores escritores do Rio Grande do Norte, Jerônimo Vingt-un Rosado Maia que levantava a bandeira do partido Arena.

Jerônimo Vingt-un Rosado Maia é o vigésimo primeiro filho de Jerônimo Rosado Maia, e o nome Vingt-un, significa o numeral ordinal (vigésimo primeiro), na língua francesa.

Para nós, brasileiros, o numeral ordinal é escrito “Vigésimo Primeiro”. Como o vinte e um no jogo do bicho representa “o touro”, a campanha do Dr. Vingt-un Rosado Maia foi denominada de: “É o touro”.

Dr. Vingt-un Rosado Maia teve como vice-prefeito Joaquim da Silveira Borges filho, sendo este natural de Sobral, no Estado do Ceará, faleceu em Fortaleza-CE.

Já pelo outro lado, levantando a bandeira do “Movimento Democrático Brasileiro – MDB” foi registrada a candidatura do ex-prefeito de Mossoró Antonio Rodrigues de Carvalho nascido no sítio Capim Grosso, no atual município de Upanema, em 13 de junho de 1927, dia em que o bando de Lampião invadiu Mossoró.

Como Antonio Rodrigues de Carvalho era lá do sítio Capim Grosso, a sua campanha foi nomeada de: “É o capim, meu filho!”. E o seu candidato a vice-prefeito, era o empresário, radialista e diretor artístico da Rádio Difusora, José Genildo de Miranda.

A campanha de Antonio Rodrigues de Carvalho foi apoiada pelo ex-governador do Rio Grande do Norte, o maior orador, maior líder político e famoso cigano feiticeiro, o jornalista Aluísio Alves, nascido na cidade de Angicos-RN.

Durante décadas Mossoró fora administrada pela famosa família Rosado, e sabendo que para tomar o poder desta, tinha que suar muito, Aluísio Alves dedicou-se por completo; trabalhava muito pelas outras cidades do Rio Grande do Norte, mas não se esquecia um pouco de Mossoró, e nos finais de semana, sem intervalos, Aluísio Alves e a sua comitiva, à noite, estavam com redes armadas e cachimbos acesos, pelas ruas de Mossoró, puxando uma grande passeata. E antes que terminasse o prazo dos comícios, Aluísio Alves, incansável, passou três dias com três noites, dentro de Mossoró fazendo a chamada “vigília”.

Assim que terminou a apuração das urnas, o capim comeu o touro, com uma maioria de 98 votos, eleição que nem todo mossoroense acreditava que um homem vindo lá de Angicos, tomaria o poder dos Rosados. Com isso, Aluísio Alves que já era famoso, passou a ser o maior político do Rio Grande do Norte de todos os temos.

Em 1968 eu ainda era interno da Casa de Menores Mário Negócio, e me lembro que, assim que terminou a apuração das urnas, a vice diretora da instituição de menores, incumbiu-me para levar o resultado da eleição à sua mãe (dona Nanu, lá na Benício Filho, na Ilha de Santa Luzia, pois a mesma estava sem veículo de comunicação), que o Antonio Rodrigues de Carvalho tinha sido eleito a prefeito de Mossoró.

Eu ia pedalando uma bicicleta, e ao entrar na ponte vinha um senhor muito embriagado, ocupando todo espaço da ponte. E eu imaginei que ele já comemorava a vitória de Antonio Rodrigues de Carvalho. E antes que eu passasse por ele, gritei: “É o capim, meu filho!”.

O homem com um dos pés empurrou-me com toda força do seu pé, jogando-me sobre a calçada da ponte. Eu me estendi sobre ela com todo corpo. E ele saiu dizendo os maiores palavrões comigo. Naquele momento, quase não me levantei da calçada com tantas dores.

“Pela agressividade do homem feita contra mim deduzi que ele era um derrotado, isto é, adversário do Movimento Democrático Brasileiro – MDB”.

Que sorte! O bom foi que ele seguiu seu destino, descendo para o centro da cidade, e não voltou para me agredir fisicamente.

Fotos:

1 – Jerônimo Vingt-un Rosado Maia da família numerada de Mossoró. Muito embora muitos não aceitam, mas para mim, se não fosse a família “Rosado” nós ainda seríamos índios Monxorós, por falta de desenvolvimento;

2 – Joaquim da Silveira Borges filho;

3 – Antonio Rodrigues de Carvalho foi médico já com a idade avançada, e prefeito de Mossoró por duas vezes;

 

4 – José Genildo de Miranda um dos maiores locutores de Mossoró;

5 – Aluísio Alves ex-governador do Rio Grande do Norte. Ninguém mais n Rio Grande do Norte foi melhor orador do que ele. Chamavam-no de Cigano Feiticeiro. Insistente. Quando via que um determinado político do seu partido não estava sendo bem aceito, fazia vigília na cidade para conseguir a vitórias, e geralmente dava certo.

 

José Romero Cardoso

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