Campos: orgulho em ser oposição

26 abr 2013

Duvido que o PSDB consiga fazer um programa tão oposicionista quanto o que fez ontem o PSB do governador Eduardo Campos. Fosse absolutista, a presidente Dilma teria mandado decaptar os ministros do PSB aos primeiros raios de sol desta sexta.

Campos fez um programa de dez minutos com uma qualidade de discurso e um tom crítico de fazer inveja ao mais cacifado anti-petista do Brasil.

Sem precisar assistir o vídeo, resumido na frase “dar um passo adiante”, já foi possível perceber, por meio das percepções dos articulistas nacionais, que Eduardo Campos entrou ontem, oficialmente, na disputa pela presidência da República Federativa do Brasil.

A partir de agora, tudo o que disser a respeito do governo federal será servido com pimenta.

O mais curioso ao analisar o texto usado foi o malabarismo verbal que Eduardo fez para atingir o governo do PT, preservando Lula, seu grande “padrinho federal” e “amigo”,  e enfatizar a suposta inoperância de Dilma.

A cada destaque que deu a um avanço do Brasil, ele criticava uma omissão atual. “Nós somos o país do Pré-Sal. Mas gastamos R$ 3 bilhões por ano para importar gasolina. Somos um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Mas falta infraestrutura para estocar e transportar a nossa produção. Temos a matriz energética mais limpa do planeta. Mas gastamos R$ 400 milhões por mês para manter termoelétricas poluidoras”, declarou. Fez críticas em que incluía as gestões do PSDB, falando na falta de reformas como a tributária, fiscal e política.

E usou um tema pelo qual mais tem autoridade pra falar: distribuição das receitas da União com os estados. Um debate que não pode ser desmentido, inclusive, nem pelos governadores aliadíssimos ao projeto do governo Dilma.

Pelo que se viu ontem, deu pra notar que Eduardo Campos está com o discurso afiadíssimo. E que não terá vergonha alguma de dizer que tem um projeto melhor para o Brasil do que esse do PT, que ele ajudou a eleger e governar, supostamente, já “cansado”.

O que parecia um labirinto difícil pra ser trilhado – dizer que é ruim o que já foi dito que é bom – o PSB conseguiu. A partir de ontem, a guerra deixou de ser “talvez”. Eduardo Campos se retirou oficialmente pro outro lado do campo de batalha. Agora é fogo inimigo, amigo.

Em tempo: Pelo o que deu pra perceber também, do ponto de vista plástico, o PSB escalou outra estrela para as aparições do governador Eduardo Campos. Em foco a cada passagem, os olhos verdes do socialista tiveram tanta atenção do filme quanto os números do tamanho do PSB no país.

Luís Tôrres

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