CÂNION DO XINGÓ, SÃO FRANCISCO DO CANINDÉ, SERGIPE

10 nov 2016

canion-do-xingo-caninde-sergipe2

Engana-se completamente quem pensa que a mão de Deus, com sua força, generosidade, grandeza e beleza não se manifesta plenamente na mãe natureza. Foi o meu primeiro pensamento ao visitar o Velho Chico, um mar de águas doces que vão surgindo por entre gigantescos paredões de pedras, que apresentam esculturas magníficas, como a Pedra do Gavião, que poderia ser obra de um apaixonado corintiano, o Morro dos Macacos, a Pedra do Japonês e o Paraíso do Talhado.

O segundo, foi comprovar como as pessoas simples daquela região são bem mais sustentáveis do que nós, letrados, porque ao longo de todo o percurso do Rio, não há o menor sinal de que ele recebe diariamente, inúmeros turistas. Talvez porque o comandante do catamarã avisa, várias vezes, que para os fumantes há uma área reservada, e que estes devem, obrigatoriamente, ter uma garrafa com água para colocar dentro, o que resta dos cigarros. Também não pode ser jogado nas águas do São Francisco, nada do quer for consumido no local.

O Rio São Francisco, com 2.700 km de extensão, é o maior rio genuinamente brasileiro e um dos mais importantes da América do Sul; nasce na Serra da Canastra em Minas Gerais, escoando no sentido sul-norte pela Bahia e Pernambuco, alterando o seu curso, chega ao Oceano Atlântico através da divisa entre Alagoas e Sergipe.

O Velho Chico E a exuberância do leito mais belo do país.

Canindé do São Francisco, no Estado de Sergipe, é uma referência do Rio São Francisco. A usina do Xingó, com sua exuberância, é vista ao longo da divisa de três Estados; Alagoas, Sergipe e Bahia. O complexo da usina de Xingó é deslumbrante e causa arrepios pela sua grandiosidade.

Passeando pelo leito do Velho Chico, como é mais conhecido, verificamos sua potencialidade nas vias que cortam esses três Estados. Fica quase impossível achar que o rio São Francisco em algumas localidades está com o nível tão baixo, que bancos de areia e pouca água são vistos por algumas vezes, dando a entender que no curso deste afluente de tão grande importância, encontramos o caos causado pela falta de chuvas, haja vista que, na divisa dos Estados acima mencionados, se vê um verdadeiro mar de águas, com uma profundidade inimaginável e de uma beleza espetacular da natureza, que fica quase impossível acreditar que em algumas regiões o Velho Chico está assoreado e impraticável para sua navegação.

Na usina do Xingó, navegando pelas águas do rio, encontramos belas paisagens naturais e falésias em rochedos de incríveis formas que ao longo do trajeto vamos nos deparando. Ao adentrar mais, encontramos rochedos dentro do rio que parecem querer fazer parte da estrada que esse afluente tão importante faz para chegar ao seu destino final.

Quero aproveitar esse espaço para questionar alguns ambientalistas que são contrários à transposição do Rio São Francisco. Talvez não conheçam em profundidade esta questão, mas uma coisa quero dizer: pelo plano de ação que está em execução, o pequeno desvio de águas que será atribuída a essa transposição, com certeza não será por essa razão que o Velho Chico secará. Certamente teremos resolvido uma outra questão de sustentabilidade da biodiversidade muito mais importante: a vida humana.

Por Arlindo Júnior e Francisca Vânia Rocha

Comentários