Cartada dupla: a surpreendente jogada de Ricardo Marcelo e Luciano Agra

6 jun 2013

O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Ricardo Marcelo (PEN), não gosta muito de se expor na mídia. Trabalha sempre nos bastidores. Enquanto os partidos se engalfinhavam para divulgar e plantar notas da suposta filiação do ex-prefeito Luciano Agra, Marcelo manteve-se quedado, aguardando a hora de mostrar o jogo.

Como bom jogador, surpreendeu a todos.

Ao atrair Agra, mudou um pouco a configuração da mesa política na Paraíba e assinou, definitivamente, sua participação nas discussões eleitorais de 2014, dando ( ou recuperando) ao PEN aquilo que ele estava perdendo com as ameaças de desfiliação de deputados.

Com o ex-prefeito de João Pessoa em seus quadros, Marcelo pode dizer a alguns deles: “Já vai tarde”.

O ex-prefeito, por sua vez, preferiu fugir aos grilhões que o Partido dos Trabalhadores queria impor. Escaldado da experiência que amargou em 2012 na crise com o PSB, evitou ficar refém do PT, apesar das promessas de mundos e fundos.

É óbvio que Agra também não tem no PEN a autonomia completa que desejara, já que Ricardo Marcelo é e continuará sendo o único marechal do partido. Mas, ao menos, não poderá mais ser tratado pelo PT e pelo prefeito Luciano Cartaxo como um “dependente”, o que , pelo menos, desacelera a redução de prestígio que estava sofrendo na prefeitura de João Pessoa.

Agra, agora, tem outra “casa” pra dormir.

Sua posição, mesmo que não queira ser direto, é um recado claro a Luciano Cartaxo, a quem ajudou a eleger, que existe vida pós 2013. E que ele pode muito bem respirar sem, necessariamente, precisar do oxigênio do PT.

Luís Tôrres

Comentários