Cássio Cunha Lima e Aguinaldo Ribeiro na lista da Odebrecht

16 mar 2017

cassio aguinaldo

Guardada a sete chaves pela Procuradoria-Geral da República e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a lista dos políticos que serão investigados com base nas delações da Odebrecht é o mais novo pesadelo de partidos e centenas de autoridades brasileiras. Mas um ponto em comum une os alvos das investigações já antecipados pela imprensa: quase todos eles aparecem nos papeis apreendidos pela Polícia Federal, em fevereiro do ano passado, na casa do então presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Junior, no Rio. É o caso, por exemplo, dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o “Botafogo”; e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), o “Índio”; do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o “Primo”; e do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o “Santo”, dados como certos entre os investigados.

As planilhas apontavam mais de 300 nomes de políticos, com registros de valores e anotações à mão e até apelidos. Entre eles, grande parte das principais lideranças políticas nacionais, incluindo chefes de Executivo das unidades federativas economicamente mais fortes do país: são mais de 80 parlamentares, ministros e governadores (clique no link para ver a lista) – dos governistas PMDB, PSDB e DEM aos oposicionistas PT e PCdoB.

Ainda não se sabe quantos, muito menos quais desses políticos, estão na mira dos 83 pedidos de abertura de inquérito (procedimento preliminar que pode resultar em processo) enviados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, na última terça-feira (14). Também não é conhecido o número de autoridades que serão investigadas, pois um mesmo inquérito pode apurar a responsabilidade de vários suspeitos. A divulgação dos nomes ainda depende de Fachin, a quem cabe autorizar as investigações e avaliar a quebra de seus respectivos sigilos, solicitada por Janot.

A lista dos políticos que aparecem nos documentos da Odebrecht foi publicada em primeira mão pelo Congresso em Foco em março do ano passado. Foram feitos cruzamentos para identificar datas, nomes e locais constantes das versões originais, além da eliminação de erros de grafia e da decodificação de certos apelidos. Na relação atualizada nesta quinta-feira (16) pelo site, com a inclusão de alguns nomes que só foram identificados posteriormente, há pelo menos dez ministros do atual governo, 18 senadores e 47 deputados e nove governadores. Eles negam irregularidades. A maioria diz que as doações foram legais.

A citação nas planilhas da Odebrecht – a maior parte relativa a doações para a eleição municipal de 2012 – foi um dos pontos de partida dos procuradores para ouvir os 77 ex-executivos do grupo que fizeram acordo de delação premiada. Os representantes do Ministério Público tomaram mais de 900 depoimentos e levaram em conta várias outras revelações para encaminhar cada caso. Nessa fase, outros nomes foram citados por delatores como beneficiários de repasses do grupo. O aprofundamento das investigações vai indicar o que foi doação legal de campanha, o que foi caixa dois e o que foi propina.

Além da instauração de inquéritos, o procurador-geral solicitou 211 declínios de competência para outras instâncias da Justiça nos casos que envolvem suspeitos sem prerrogativa de foro no Supremo, como os ex-presidentes Lula e Dilma, além de sete arquivamentos e outras 19 providências.

Os inquéritos envolvendo governadores, por exemplo, deverão ser encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Além de políticos com foro em Brasília, também aparecem nos registros ex-ministros de Dilma e Temer, ex-parlamentares, ex-governadores, prefeitos, deputados estaduais, vereadores e outros políticos sem mandato. A equipe do ministro Edson Fachin ainda avalia os pedidos do procurador-geral da República. A expectativa é que os nomes da “nova lista de Janot” venham a público até a próxima semana.

Os paraibanos citados são os Senadores Cássio Cunha Lima (PSDB), Lindberg Farias (PT-RJ) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

MINISTROS

Antonio Imbassahy (PSDB-BA) – Secretaria de Governo
Bruno Araújo (PSDB-PE) – Ministro das Cidades
Eliseu Padilha (PMDB-RS) – Ministro da Casa Civil
Gilberto Kasssab (PSD-SP) – Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
Mendonça Filho (DEM-PE) – Ministro da Educação
Moreira Franco (PMDB-RJ) – Ministro da Secretaria-Geral de Governo
Osmar Terra (PMDB-RS) – Ministro do Desenvolvimento Social e Agrário
Raul Jungmann (PPS-PE) – Ministro da Defesa
Ricardo Barros (PP-PR) – Ministro da Saúde
Roberto Freire (PPS-SP) – Ministro da Cultura

GOVERNADORES

Beto Richa (PSDB-PR)
Fernando Pimentel (PT-MG)
Geraldo Alckmin (PSDB-SP)
Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ)
Marconi Perillo (PSDB-GO)
Raimundo Colombo (PSD-SC)
Reinaldo Azambuja (PSDB-MS)
Tião Viana (PT-AC)
Wellington Dias (PT-PI)

SENADORES

Aécio Neves (PSDB-MG)
Ana Amélia Lemos (PP-RS)
Armando Monteiro (PTB-PE)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Fernando Bezerra (PSB-PE)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
José Agripino (DEM-RN)
José Aníbal (PSDB-SP) – suplente
José Serra (PSDB-SP)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

DEPUTADOS

Afonso Hamm (PP-RS)
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) – líder do governo na Câmara
Arnaldo Jardim (PPS-SP) – licenciado
Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)
Arthur Virgilio Bisneto (PSDB-AM)
Bebeto Galvão (PSB-BA)
Betinho Gomes (PSDB-PE)
Beto Mansur (PRB-SP)
Carlos Zaratini (PT-SP)
Celso Russomanno (PRB-SP)
Clarissa Garotinho (PRB-RJ)
Daniel Almeida (PCdoB-BA)
Daniel Coelho (PSDB-PE)
Fernando Marroni (PT-RS)
Heráclito Fortes (PSB-PI)
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
José Carlos Aleluia (DEM-BA)
José Otávio Germano (PP-RS)
José Priante (PMDB-PA)
Júlio Lopes (PP-RJ)
Jutahy Magalhães Jr. (PSDB-BA)
Luciano Ducci (PSB-PR)
Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA)
Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR)
Luiz Carlos Ramos (PTN-RJ) – licenciado
Luiz Sergio (PT-RJ)
Mandetta (DEM-MS)
Marcio Biolchi (PMDB-RS) – licenciado
Marco Maia (PT-RS)
Maria do Rosário (PT-RS)
Mendes Thame (PV-SP)
Nelson Pelegrino (PT-BA)
Otávio Leite (PSDB-RJ)
Paes Landim (PTB-PI)
Patrus Ananinas (PT-MG)
Paulinho da Força (SD-SP)
Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG)
Paulo Teixeira (PT-SP)
Renato Molling (PP-RS)
Rodrigo Maia (DEM-RJ)
Rogério Marinho (PSDB-RN)
Ronaldo Lessa (PDT-AL)
Ronaldo Zulke (PT-RS)
Rosinha da Adefal (PTB-AL)
Sérgio Zveiter (PSD-RJ)
Silas Brasileiro (PMDB-MG)
Zé Geraldo (PT-PA)

Fonte: Congresso em Foco
Com dercio.com.br

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