CEM ANOS PÓS MARROCOS

10 fev 2014

Como sempre faço visitas ao Juazeiro do Padre Cícero, no ano de 2010 fui àquela cidade para buscar maiores conhecimentos sobre vida e obra do professor José Marrocos, já que no mês de agosto daquele ano foi comemorado os cem anos da sua morte.

Foi, na verdade, o professor Marrocos um dos grandes idealizadores do projeto Juazeiro do Norte, ao lado do primo e amigo Padre Cícero Romão Batista.

O seu mundo foi iniciado na cidade do Crato – CE, no dia 26 de novembro de 1842, data do seu nascimento. No ano de 1908 passou a morar na cidade de Juazeiro. Depois, ao lado do primo Cícero Romão foi estudar em Cajazeiras. Em seguida passou a estudar no Seminário da Prainha, em Fortaleza.

Não se pode escrever ou falar nada sobre Juazeiro do Padre Cícero sem antes colocar a referência do professor José Joaquim Teles Marrocos, considerado um dos grandes intelectuais do Estado do Ceará, naqueles tempos.

Logo cedo abraçou a causa do abolicionismo, já que era totalmente contra o sistema de escravatura imposto pelos ricaços e coronéis de terras, aos negros da época. Por conta dessa luta acirrada que comandou no Estado do Ceará contra a escravatura arranjou inúmeros inimigos, especialmente os senhores de terra que não aceitavam a idéia de perder os pretos como escravos.

Quando o Padre Cícero assumiu o comando espiritual do Juazeiro ele ficou ao seu lado o tempo todo. Dizem historiadores e pessoas que ainda relembram um pouco da sua estada na terra juazeirense, que José Marrocos exerceu um papel muito forte de orientador junto ao Padre, principalmente porque era considerado um homem culto e preparado em quase todos os campos da ciência.

Escritor de renome, jornalista destacado em todo o Nordeste, principalmente com os artigos profundos de conhecimento sobre o abolicionismo e os milagres do Juazeiro, publicados no seu jornal O REBATE.

Era um católico fervoroso, mas nunca demonstrou ser fanático. Acreditava com integral sinceridade na sobrenaturalidade do sangue presente nas hóstias, dadas em comunhão a beata Maria de Araújo, já que também tinha grandes conhecimentos de teologia.

Um dos momentos mais difíceis na vida de Marrocos foi o instante em que foi encontrada na sua residência a urna que encerrava “os panos” usados na limpeza do sangue extravasado da boca da beata Maria de Araújo. Nesse tempo ele já enfrentava a ira do Padre Antônio Gomes de Araújo, inimigo pessoal do Padre Cícero, que dizia sempre aborrecer as coisas de Juazeiro, e por conta disso escreveu um livro contra os fatos extraordinários daquela cidade, onde não poupou agressões e desqualificações sobre o Padre Cícero, no seu livro Apostolado do Embuste.

Podemos afirmar que ele foi o terceiro mártir de Juazeiro, com o caso dos milagres acontecidos na Catedral de Nossa Senhora das Dores, a partir do ano de 1889. Falamos em terceiro mártir, já que o primeiro e segundo, respectivamente, foram o Padre Cícero e a beata Maria de Araújo.

Foi o primeiro dos quatro grandes heróis da história do Juazeiro a morrer, no dia 14 de agosto de 1910. O centenário da sua morte mostrou grandes recordações aos historiadores do mundo inteiro, com especialidade os do Juazeiro que escrevem constantemente sobre vida, obra e desaparecimento do Padre Cícero, José Marrocos, beata Maria de Araújo e a beata Mocinha.

No Museu vivo, na Serra do Horto, José Marrocos está lá de pé, em frente ao Padre Cícero, certamente relembrando um daqueles momentos que os dois discutiam a administração e os problemas da terra juazeirense.

O “Caldeirão Político” continua pesquisando a saga de José Marrocos, por entender que aquele intelectual foi grande em todos os sentidos, com especialidade na batalha pelo desenvolvimento do município, hoje denominado o Juazeiro do Padre Cícero.

Uma das suas grandes movimentações foi à luta pela emancipação de Juazeiro, que era distrito do Crato. Morreu, no entanto, sem ver a vitória do seu trabalho, já que Juazeiro só alcançou a emancipação política em 1911, um ano depois da sua morte.

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