CHORA SAXOFONE

11 maio 2018

Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 20/02/2012

“A Paraíba gemeu e Sousa parou! Dr. Nias Morreu, o saxofone chorou!” E a eternidade convocou o último de uma geração vitoriosa da cidade de Sousa. Convocou e foi atendida, levando para o seu reinado um homem de uma história completa no reino terrestre, Ananias Pordeus Gadelha, professor, advogado, Juiz de Direito, político, músico e conselheiro.

Dr. Nias, como era conhecido na intimidade, faleceu em João Pessoa, aos 88 anos de idade, no dia 18 do corrente mês de fevereiro, deixando saudades profundas na cidade de Sousa, a sua terra natal.

Vereador em 1951, pela União Democrática Nacional, deputado estadual por dois mandatos, 1º Secretário da Assembleia Legislativa da Paraíba, Juiz de Direito das Comarcas de São João do Rio do Peixe, Cajazeiras, Uiraúna, Princesa Isabel e Pombal, professor da Universidade Federal da Paraíba e em vários colégios de Sousa. Foi também Secretário do Interior e Justiça e Procurador Geral do Estado.

Conhecido como um dos melhores músicos de Sousa, encantava o público quando tocava no seu saxofone de ouro. Fez parte da banda de música municipal por muitos anos, foi um dos fundadores do “Bando do Céu”, uma orquestra para grandes eventos na sociedade regional.

Era a principal cabeça pensante da UDN de Sousa, a partir da fundação, em 1945, até a sua extinção por Ato da Revolução de Março de 1964.

Filho do ex-prefeito Tozinho Gadelha, bateu de frente com o saudoso Antonio Mariz, nas eleições de 1963, já que Mariz derrotou seu pai, Tozinho, para prefeito de Sousa.

Tive grandes momentos de boa convivência, com o Dr. Nias, principalmente nos movimentos culturais de Sousa. Em 1981, ele me apoiou para presidente do Sousa Ideal Clube, juntamente com toda a sua família. Também foi meu advogado em ações judiciais naquela comarca.

Era um folião apaixonado, por isso o destino escolheu o dia da abertura da Festa de Momo, para ele despedir-se do mundo que o acolheu em todos os momentos festivos, profissionais e momescos, levando as saudades dos pierrots, colombinas e arlequins.

Nunca poderemos falar em Nias Gadelha sem anunciar a sua vocação musical, especialmente com o saxofone pelas ruas da cidade, já que era um boêmio amigo de todos. Transmitia alegria, confiança e uma humildade impressionante junto aos seus conterrâneos.

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