Comentários de João Suassuna – Crise na geração de energia de 2014

5 abr 2017

Meus Prezados,
Muito oportuno o comentário que fiz em 2014, com a crise de geração de energia que o país estava vivenciando à época. Atualmente o problema continua, agora com mais intensidade. As termelétricas estão acionadas, encarecendo, em demasia, as tarifas do usuário da energia.

COMENTÁRIOS: João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife

JOAO SUASSUNA

Tenho denunciado, nos últimos 20 anos, que o Governo Federal errou, e errou feio, ao apostar todas as suas fichas na interligação do sistema elétrico brasileiro, como forma de viabilizar as retiradas volumétricas do rio São Francisco, através do projeto da Transposição de suas águas. A energia que deixaria de ser gerada, no São Francisco, com os volumes utilizados pelo projeto da transposição, viria de outros centros geradores do País. O momento atual mostra, com a devida clareza, que isso não vai ser possível. Com a estiagem que se abateu em toda Nação brasileira, a hidrelétrica de Ilha Solteira, por exemplo, “zerou” seus volumes e, consequentemente, deixou de gerar energia. Os demais reservatórios da região Sudeste estão com seus níveis preocupantes. No São Francisco, o cenário não é diferente. A represa de Três Marias atingiu, no mês de outubro (2014), cerca de 2,8% de sua capacidade útil. A represa de Sobradinho, no momento (2014), encontra-se com cerca de 20%. Mesmo com o sistema elétrico interligado, o País não resolveu o problema de geração e de distribuição de sua energia, conforme era esperado pelas autoridades do setor elétrico. Com os níveis baixos, as transferências elétricas, dessas usinas, estão sendo inviabilizadas, pela falta de água em seus reservatórios. As possibilidades de apagão são enormes. Um cenário desolador, se levado em consideração os investimentos bilionários efetuados no projeto da transposição, cujo propósito objetiva a solução dos problemas de oferta de água na região Semiárida brasileira. Não foi por falta de aviso que essa situação tenha chegado ao ponto que chegou. Existe um adágio popular no País que diz o seguinte: errar é humano, mas permanecer no erro é diabólico! Infelizmente, estamos chegando ao fundo do poço!

Abraço!

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