Considerações empíricas sobre os distritos São Pedro e Casinha do Homem (Município de Santa Cruz – Estado da Paraíba)

9 jul 2015

José Romero Araújo Cardoso
Marcela Ferreira Lopes

O município paraibano de Santa Cruz, que faz divisa com o Estado do Rio Grande do Norte, localizado a cerca de 18 quilômetros de Alexandria, possui dois distritos – São Pedro, caminho para São Francisco do Chabocão e Casinha do Homem, cuja via de acesso encontra-se à direita da rodovia que leva à supramencionada urbe norte-riograndense.

Visitamos as referidas localidades em datas distintas, respectivamente em 22 de março e 09 de junho de 2015, quando buscamos implementar análise geográfica, embora superficial, marcada mais pelo empirismo, pela observação in loco das condições apresentadas por ambos, quer pela cientificidade definida em dados mais concisos, como indicadores referentes as duas localidades, os quais poderiam definir com exatidão a notória diferenciação que a olhos vistos se descortina a contemplares geográficos.

São Pedro apresenta-se com via de acesso mais favorável tanto para os moradores como a quem lá se destina, com infraestrutura satisfatória, contando com pavimentação a paralelepípedos graníticos, casas bem construídas, escolas e comércio movimentado.

É percebível rugosidade importante referente a existência da estação de trem da extinta ferrovia Mossoró-Sousa, a qual sintetiza a ênfase que teve esse distrito de Santa Cruz em épocas passadas. Além desse município paraibano, único no Estado a ter duas estações ferroviárias, sendo uma na sede municipal, sendo que Caraúbas e Alexandria, no Rio Grande do Norte, tiveram essa primazia.

Em contrapartida, a estação de trem de Santa Cruz (localizado na sede do município), por sua vez, não há nada que lembre o que foi no passado a suntuosa edificação, quando pessoas e mercadorias eram embarcadas em direção a Sousa e aos municípios potiguares servidos pela concretização do sonho de Ulrick Graf.

O distrito de Casinha do Homem, por sua vez, revela-se um pouco defasado, apresentando ruas ainda descalçadas, acesso problemático, o qual com certeza se exponencializa quando dos períodos chuvosos, casas pouco sofisticados, sendo algumas observadas com construção precária. Existe escola no lugar, a qual foi reformada recentemente, porém, não foi possível observar as condições que a mesma apresenta dentro de exigências pedagógicas. A praça tem infraestrutura regular, embora serviços urbanos ainda estejam sendo concluídos.

Nota-se fatores marcantes existentes entre São Pedro e Casinha do Homem, perfazendo assim traços individualizados no processo de produção geográfico do município de Santa Cruz, pois são claramente verificadas as diferenças.

Chegar ao distrito de Casinha do Homem torna-se um desafio constante, tendo em vista o estado em que se encontra a via de acesso à sede municipal, cheia de impedimentos como, por exemplo, alguns animais na pista que exigem atenção redobrada. Terrenos arenosos em vários locais dificultam ainda mais o deslocamento de pessoas e mercadorias, tendo em vista a grande dependência com relação a outros lugares, incluindo Santa Cruz.

A geografia humana dos dois distritos santa-cruzenses difere radicalmente, pois afabilidade e cortesia no que se refere às relações humanas ficaram patenteadas pela forma como as pessoas reagiram a nossa chegada ao distrito de casinha do homem.

[1] José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UERN).

[2] Marcela Ferreira Lopes. Graduada em Geografia-UFCG/CFP. Especialista em Educação de Jovens e Adultos com ênfase em Economia Solidária-UFCG/CCJS. Graduanda em Pedagogia-UFCG/CFP. Membro do grupo de pesquisa (FORPECS) na mesma instituição.

Comentários