Copacabana, princesinha castigada

9 set 2015

Onaldo Queiroga*

copacabana

Sua beleza é algo indescritivelmente sublime e inesquecível. Sua calçada é formosa e internacionalmente conhecida, pois seu desenho se harmoniza com as ondas do mar, com o céu de azul intenso que abriga o sol de 40 graus, a espalhar o amarelo das saborosas cervejas e do chope. Sua graça é simetria das sereias que tanto inspirou violões poéticos e corações apaixonados.

Não é à toa que o maestro Jobim a exaltava cantando: “Existem praias tão lindas cheias de luz / Nenhuma tem o encanto que tu possuis / Tuas areias, teu céu tão lindo / Tuas sereias sempre sorrindo / Copacabana, princesinha do mar / Pelas manhãs tu és a vida a cantar / E a tardinha o sol poente / Deixa sempre uma saudade na gente / Copacabana o mar eterno cantor / Ao te beijar ficou perdido de amor / E hoje vive a murmurar / Só a ti, Copacabana / Eu hei de amar”.

Recentemente, te visitei. Como antes, ali estava o cenário exuberante. Andei pelas areias e calçadas. Contemplei o vai e vem dos ciclistas, dos caminhantes locais e dos turistas. Batendo um papo com amigos, tomei chope. Mas, havia algo que arranhava o encanto daquele quadro natural de tão grandiosa formosura. O homem, sempre ele, como um vírus letal, vem te maltratando. Nas águas do teu mar, uma faixa grande de resíduos, decorrentes da poluição, boiava, manchando tua beleza. Mirando o céu, lá no horizonte, uma nuvem marrom, estacionada, quebrava teu azul encantador. Tinha, ainda, algo que incomodava muito: o mau cheiro dos esgotos, que invadia os ares da formosa princesinha.

Esse mau cheiro não senti só no cenário de Copacabana, mas desde a saída do aeroporto do Galeão, quando passamos pelo complexo da Maré, pelo Aterro do Botafogo e pela Lagoa Rodrigues de Freitas um indesejável odor que contaminou o passeio. Maratona, meia maratona, ou provas similares, tudo isso, na imagem da TV, é bacana. Não se pode dizer o mesmo quanto aos participantes, que correram “sob incentivo” do insuportável mau cheiro. Algo, de fato, inaceitável.

Indaga-se: até quando isso vai perdurar? 2016 é ano de Olimpíada. Independentemente, precisamos perfumar a princesinha e devolver todos os seus encantos, antes que a sujeira do homem a destrua de vez.

*Escritor e Juiz de Direito da 5ª Vara Cível em João Pessoa – PB

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