DESCENDENTE DAS FAMÍLIAS PIANCÓ E BATISTA

18 jan 2016

Sou João de Sousa Lima, descendente pelo lado paterno, da família Piancó, fundadores da cidade de Itapetim, Pernambuco e pelo lado materno sou descendente da família Batista, os mesmos Batistas que originou o cangaceiro Antônio Silvino.

A linhagem pernambucana começou com a migração dos quatro irmãos: Antônio José de Lima, Serafim José de Lima (meu avô), Joaquim José de Lima e Maria José de Lima (Lilia), filhos de José do Rego Lima e Alexandrina aria da Conceição, que vieram da cidade Piancó, vale da Paraiba e fixaram residência nas terras da Maniçoba, Recanto e Mulungú, município de São Jose do Egito, isso em meados de 1877, fundando a cidade de Itapetim.

Da família Piancó originou-se as famílias: Lima, Inácio, Arcanjo, Vicente, Ferreira, Alexandre, Leite, Sousa, Vital, Santos, Costa, Carneiro, dentre outras.

A maniçoba e todas as terras adquiridas pelos “Piancós” se tornaram uma região próspera, rica e com plantios abundantes.

Serafim Piancó tornou-se um forte produtor de algodão, feijão, milho e rapadura. Seu filho Raimundo José de Lima é o meu pai. Quando ele conheceu minha mãe Rosália de Sousa Lima estava junto do primo Odon Piancó e haviam ido a fazenda Bom Sucesso, de propriedade de Antônio Delfino, que era avô de Odon. Foram ao sitio realizar uma limpeza em uma caldeira (vapor) que fazia parte das engrenagens de um engenho de moer cana de açúcar; Nesse dia papai viu mamãe pela primeira vez e saiu de lá fascinado pela beleza da jovem e durante todo o percurso da volta, papai repetiu o nome Rosália, pronunciando sem o som do acento.

Meu avô materno, Pedro Batista, era um vaqueiro afamado e era primo legitimo do cangaceiro Antônio Silvino e chegou a andar uns tempos com ele no cangaço. A família de Pedro Batista compreendia a região de Monteiro, Sumé, Amparo, Santa Terezinha e residiram nas Bananeiras, Riacho do Cariri e Olho D’água dos caboclos.

Meu avô Pedro Batista casou com Olímpia de Sousa Lima (filha de Tributino de Sousa Lima e Amara Maria da Conceição) , que residiam em Sumé (São Thomé). Quando casaram vieram morar no sítio Bananeiras onde nasceram os filhos Maria das Neves, José Batista de Sousa (Dedé), Rosália de Sousa Lima (minha mãe), Francisco Batista de Sousa , Manuel Batista de Sousa (Nezinho), Luiz Batista de Sousa, Sebastiana de Sousa (Sebinha), e Rita Batista de Sousa.

Recentemente fiquei sabendo através do meu tio Luiz Batista, que ainda estava viva uma irmã do meu avô Pedro Batista, ela se chama Antônia Batista, tem 102 anos e reside no Riacho do Cariri.

Dia 04 de janeiro de 2016, eu e tio Luiz Batista de Sousa nos dirigimos para o Riacho do Cariri e Olho D’água dos Caboclos, pertencente a Amparo, Paraíba, para conhecermos essa tia-avó Antônia Batista.

Depois Pedro Batista e Olímpia saíram das Bananeiras e a convite do cunhado Etelvino de Sousa e foram residir no Riacho do Cariri.

Maria (Biinha), Rosália e Francisco nasceram nas Bananeiras e o restante dos filhos nasceu no Riacho do Cariri.

No Riacho do Cariri Pedro batista trabalhou como vaqueiro de Amaro Caboclo e na casa de Amaro Caboclo foi onde aconteceram as festas de casamentos de tia Biinha com um filho adotivo de Amaro, chamado Inácio Augusto do Nascimento e de Mamãe com Raimundo Piancó.

Antônia era a irmã querida de Pedro Batista e um jovem chamado Batista carregou Antônia dizendo aos pais dela que a carregava e não casava; Quando Pedro chegou em casa vindo do trabalho de campo trajado de vaqueiro, encontrou os pais chorando e quando perguntou o que tinha acontecido os pais contaram do rapto a moça; Pedro foi em Sumé e pegou o padre Silva, contou tudo ao padre e o chamou para ir realizar o casamento.

Pedro e o padre Silva chegaram a casa de de Batista e o aguardaram chegar. Quando Batista foi chegando e viu Pedro todo trajado com gibão e perneira de vaqueiro foi logo perguntando:

– Pedro o que você tá fazendo aqui? Você veio buscar Antônia?

– Não! Vim pra você casar!

O padre vendo que a situação poderia se complicar, pois conhecia bem a valentia de Pedro, se dirigiu a Batista, pegou no braço dele e disse:

– Venha meu filho, venha casar!

O padre Silva realizou o casamento e Pedro retornou pra casa onde contou aos pais a história e a novidade.

Pedro e o cunhado Batista se tornaram grandes amigos.

Rosália e tia Biinha trabalhavam na casa de Antônia e Batista. Rosália lavava as roupas e Biinha tomava conta da cozinha. Antônia além de tia era madrinha de Rosália.

Tempos depois Pedro Batista foi ser vaqueiro de Serafim Piancó e Raimundo Piancó (meu pai) começou a namorar com Rosália. A amiga Albertina foi quem falou de papai para mamãe.

Serafim não queria o namoro entre Raimundo e Rosália porque Rosália vinha de uma família pobre.

Por essa confusão envolvendo os filhos Serafim acabou demitindo Pedro batista e o expulsando de suas terras. Nessa época Pedro já se encontrava viúvo, pois Olímpia fazia pouco tempo que tinha falecido.

Amaro Caboclo acolheu Pedro e a família na fazenda Riacho Verde.

Mesmo com a distância Raimundo continuou o namoro com Rosália e era sempre bem atendido por Pedro Batista quando visitava a namorada na fazenda Riacho Verde. O namoro era escondido de Serafim e quando ele ele descobriu expulsou o filho de casa que foi morar com o irmão João e sua esposa Conceição que residiam em uma casa próximo de Serafim. Serafim também não falava com Conceição.

Raimundo e Rosália se casaram na igreja de São Vicente com o padre João Leite e a festa aconteceu no casarão de Amaro Caboclo e três meses depois Maria (Biinha) também se casou com Inacinho e a festa foi nessa mesma casa.

Raimundo trouxe Rosália para morar na casa de Conceição e arrumou emprego de motorista com Inácio Mariano, em São José do Egito. Depois foi trabalhar nas empresas de descaroçadoras de algodão de propriedade de Walfredo Siqueira.

Essa é uma grande história, a história de minha descendência e de um grande amor entre meus pais e essa história se perpetuou e se perpetuará por anos e anos após nossas partidas.

João de Sousa Lima
Escritor e Historiador
Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso – cadeira 06.

Paulo Afonso, janeiro de 2016.

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