Desertos e tempestades

5 out 2015

Onaldo Queiroga

Se há algo que nos deixa triste, nos dias de hoje, é a existência de campos de refugiados.

Na contramão da história relacionada à crescente evolução que vivemos na seara da ciência, da indústria, dos transportes, e, primordialmente, no campo da tecnologia, o homem insiste em se portar como um ser bárbaro, estúpido e insensível. Como animais, as crianças, velhos, homens e mulheres são tangidos, diante das circunstâncias regidas pela insanidade de poderosos, para cercados que em muito lembram os famigerados campos de concentração, tão utilizados em guerras sangrentas vividas em tempos idos.

Sob a batuta do terror de quem só pensa no poder pelo poder, povos sem perspectivas de sonhos e até mesmo de sobrevivência, temendo a escravidão ou a própria morte, fogem de suas pátrias. Lançam-se em travessias como a buscar uma nova Canaã. Pelo deserto, milhares de pessoas chegam ao campo de Zaatari, na Jordânia. Ali, acumulam-se sem energia elétrica e com água racionada, separados por muros e cercas elétricas. Sob um calor acima de 45 graus, sobrevivem miseravelmente. Outros, por meio de precaríssimas embarcações, desesperadamente, jogam-se nas águas tortuosas do Mar Mediterrâneo. Alguns são engolidos pela fúria dos naufrágios, outros conseguem chegar às areias das praias do Velho Mundo, ali iniciando uma outra travessia, tão cruel quanto a dos mares e oceanos: a do romper do preconceito, da intolerância e da rejeição.

A Europa discute o que fazer com os refugiados, onde e como abrigá-los. Cogita-se até a perspectiva de não acolhê-los doravante. É importante que se diga que a Europa, os EUA e a Rússia estão umbilicalmente ligados às causas dessa tragédia e estão colhendo os efeitos de ações desvairadas, levadas a efeito num passado não muito distante. Ao apoiarem ditadores que escravizam povos em troca do favorecimento da indústria armamentista, além do usufruto da exploração e uso do petróleo, esses países do primeiro mundo contribuíram decisivamente para essa situação terrível e lamentável dos refugiados de hoje.

Que os desertos e tempestades que afligem a humanidade possam servir para um reencontro com Deus, e que o caminhar do homem possa voltar-se para o amor e a fé.

onaldorqueiroga@gmail.com

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