Dilma suporta quantos governadores acusando-a de perseguir estados que votam com a oposição?

4 jun 2013

Na estratégia do Planalto pra isolar Eduardo Campos (PSB) forçando- a desistir do projeto de candidatar-se a presidente da República, a principal recai sobre o ato de fechar as torneiras dos recursos para estados cujos governadores tencionam trocar Dilma pelo governador pernambucano.

A estratégia tem um efeito psicológico e prático impressionante, tanto que três dos seis governadores do PSB continuam com os dois pés lá atrás em relação aos anseios de Campos. Na lista daqueles mais próximos ao presidenciável socialistas, o governador Ricardo Coutinho é alvo fácil da estratégia, podendo, inclusive, ser tirado para Cristo pra servir de exemplo aos demais estados.

Ricardo já revelou publicamente que tem estranhado o não repasse das verbas para conclusão do Centro de Convenções e para o empréstimo da Cagepa. Declarou ainda que, diante da confirmação da candidatura de Campos, prevista para 2014, não “ficará em cima do muro”.

O estado poderá sofrer as conseqüências do apoio a Eduardo. Mas, mesmo intensificando a presença do governo diretamente no Estado, sem precisar de interlocutores, Dilma não ficaria totalmente impune.

Está que claro que o governador Ricardo Coutinho (PSB) não vai ficar calado diante de eventual boicote pelo governo federal em razão da campanha de 2014. Dilma agüenta um governador dizendo todos os dias que a Paraíba foi tirada do mapa pela presidente? Que o governo federal deixou o estado de fora de todos os principais investimentos do Brasil e que o próximo presidente precisa ser alguém que conheça e reconheça as necessidades do estado?

A história da Paraíba, especialmente a partir de 30, revela que ela não tende a se calar diante de boicotes nacionais. Ricardo Coutinho não faria diferente. Se quiser repetir os resultados que já obteve na Paraíba, além de investir no Bolsa Família, o PT de Dilma tem que ter cuidado com o nível de supostas retaliações.

Neste caso, o papel do ministro das Cidades, o paraibano Aguinaldo Ribeiro (PP), seria de grande importância como anteparo das hipotéticas críticas e acusações por parte do governador.

O atraso nas obras do São Francisco e a exclusão do estado de obras, como novas ferrovias e portos, já são bandeiras suficientes contra a gestão da petista. Um governador rebelde só atrapalharia ainda mais.

Luís Tôrres

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