Direto de Brasília: agora é pau e outras notas

20 maio 2013

Amargando derrotas para o PT desde 2002, quando iniciou sua via crucis pra retomar o poder no país, o PSDB se arma para mais uma batalha contando agora com um lutador diferente. Sai José Serra e entra Aécio Neves. Impossível não fazer comparação.

De cara, troca-se o discurso aguado e a naturalidade forçada de Serra pela juventude aparentemente mais dinâmica e atraente de Aécio. É certo que se troca também a vida regrada do ex-governador Zé Serra pela imagem boêmia que o senador mineiro inspira. Porém a melhor das trocas do PSDB de 2010 para o PSDB de agora não está no nome. Está no discurso. No conceito. Na circunstância.

Na eleição anterior, quando o partido tentou mais uma vez tirar o PT do poder, o discurso era constrangedor. Na convenção do partido naquela época, realizado no mesmo Brasil 21, em Brasília, em que aconteceu a convenção deste ano, da qual o blog também se fez presente, foi constrangedor ver os tucanos e, especialmente, José Serra não conseguirem produzir mais do que “o Brasil pode mais”.

Lembro-me bem que, do quarto de hotel, escrevi artigo falando da inocuidade do discurso “o Brasil pode mais”, um atestado de que o país experimentava um excelente momento e que o máximo que o PSDB poderia fazer era um pouco mais. Naquele tempo, o crescimento econômico e o controle da inflação, aliados ao misticismo em favor do então presidente Lula, impediam qualquer outro discurso.

Agora, o cenário é diferente. A economia balança com os bafejos da inflação. E a constatação de promessas não cumpridas, bem como com os arranhões na imagem, até então infalível, de Lula.

O que permite o que se viu neste sábado, daqui em Brasília, um PSDB mais aguerrido, mas ousado, mais confiante. E um Aécio mais à vontade pra falar diretamente contra o governo do PT, dizendo que “nem tudo está perdido”. E pontuando suas falhas, evidenciadas na lentidão de conclusão de obras de infra-estrutura (energia, estradas, ferrovias, telecomunicações),  e na baixa capacidade de conter a inflação e fazer a economia retomar índices mais promissores da economia.

No lugar de dizer que “pode mais”, Aécio, como se antecipa na mídia nacional, vai dizer que “pode fazer diferente e melhor”.

Ao menos no conceito, é diferente e melhor que o discurso de outrora.

PSDB da Paraíba cede tempo de TV pra Aécio Neves

Numa reunião com a cúpula tucana em Brasília neste final de semana, o deputado federal Ruy Carneiro, presidente do PSDB paraibano, surpreendeu a todos dando um gesto irrecusável ao projeto de eleição do senador Aécio Neves à presidência da República. Ruy anunciou que o PSDB da Paraíba iria ceder todo o tempo de televisão que possui para propaganda eleitoral este ano para veiculação de programas nacionais do PSDB, que vão enfatizar a imagem de Aécio Neves. Ao pedir a palavra e anunciar a oferta do tempo de televisão, Ruy forçou aos demais tucanos abrir mão de minutos na televisão em favor de Aécio. A imprensa nacional já antecipa que os novos programas do PSDB trarão Aécio Neves em imagens externas, nas ruas, falando com o povo, e dizendo que “pode fazer diferente e melhor” pelo Brasil. O senador mineiro soube recompensar o gesto e atendeu ao convite do deputado paraibano para prestigiar almoço da comitiva da Paraíba após a convenção. Com o gesto, além de contribuir para o projeto nacional, Ruy Carneiro proporcionou para os tucanos que estiveram em Brasília um momento histórico.

No governo e na prefeitura

O mercado publicitário está feliz com a notícia de que a Mix, uma das agências do governo Ricardo Coutinho (PSB), teria assinado contrato com a prefeitura de João Pessoa, resgatando licitação legalmente realizada desde a gestão de Luciano Agra,  habilitando-se para trabalhar na Secretaria de Saúde da gestão do prefeito Luciano Cartaxo (PT). Para o mercado, um sinal de que é possível vencer a limitação imposta pelas diferenças políticas que restringem a área de atuação das agências de publicidade.

Agência paraibana no Congresso

Por falar em avanço do mercado publicitário paraibano, uma empresa paraibana, a I 2 Inteligência e Informação, está em primeiro lugar no processo de licitação aberto no Congresso Nacional. Confirmada como vencedora, a empresa vai ficar responsável pela produção de material para a TV, rádio, jornal e portal da Casa. Tudo por um valor atraente de R$ 7,7 milhões.

Agra no lugar de Luiz Renato?

Na UFPB, difunde-se a informação de que a ex-secretária Roseana Meira, professora da instituição, estaria, em favor do ex-prefeito Luciano Agra, de olho no cargo de presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico, criado na época do ex-reitor Rômulo Polari e conduzido pelo professor Luiz Renato, que morreu na semana passada, provocando grande pesar na sociedade acadêmica paraibana. Para os críticos de Roseana, em sendo verdade a notícia, seria lamentável que as articulações tenham iniciado logo depois da confirmação do falecimento de Luiz Renato. O blog enviou mensagem para o celular de Roseana Meira questionando sobre o tema. Não obteve resposta.

Nova dupla na Clube FM

Os polêmicos Elton Santana, filho do saudoso Jair Santana, o eterno Boca Quente, e Luiz Vieira, estão de volta ao rádio. Eles vão estrear o programa PB Urgente na Clube FM, no dia 3 de junho. O programa vai ao ar a partir das 6h. E promete dar o que falar.

Fabiano, ponto de intersecção na lista de Ricardo e Cássio

Assim como dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, fisicamente falando, um corpo não pode estar em dois lugares diferentes no mesmo tempo. A não ser que esses lugares sejam as listas de prioridades para eleição proporcional de 2014 do governador Ricardo Coutinho (PSB) e do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) e esse corpo seja do radialista Fabiano Gomes. Neste final de semana, Ricardo e Cássio revelaram, cada um, três nomes de sua preferência. Fabiano foi o único que apareceu nas duas. Foi para o Sertão, onde o governador anunciou e entregou obras, no avião com Ricardo dividindo espaço apenas com mais dois candidatos do grupo, Ricardo Barbosa (Suplan) e Estela Bezerra (Comunicação), enquanto em Brasília Cássio confidenciava para alguns interlocutores que iria se empenhar nas candidaturas de Fabiano Gomes, Bruno Cunha Lima e Pedro Cunha Lima.

Luís Tôrres

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