Dom Marcelo, um dom carvalheiro

1 abr 2017

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Dom Marcelo, um dom carvalheiro

Dom” não como abreviação de dominus, mas seguindo o poeta Manuel Bandeira: “Prova, olha, toca, cheira, escuta. / Cada sentido é um dom divino.” Sou grato a Deus pelas magnânimas pessoas que tenho encontrado pela estrada da vida, e por suas próprias bondades. Uma dessas foi o Padre Marcelo Pinto Carvalheira, Reitor do Seminário Regional do Nordeste, em Camaragibe da Grande Recife, por onde vivi quase um ano, antes de ir, em 1966, estudar Filosofia em Roma. Desembarquei em Napoli no dia 27 de setembro, por coincidência, dia dos irmãos São Cosme e Damião; naquele porto, quatro amigos testemunharam essa alegria: Guilherme Carvalheira, Antonio de Souza Sobrinho, Marcelo Augusto Veloso e Gervásio Queiroga Fernandes. E quanto mais conhecia o estranho Continente, mais amizades com magnitude encontrava, desculpem-me os que agem ao contrário do bem, mas há muita gente boa nesse mundo. Distante, Padre Marcelo me acompanhava através do já considerado antigo costume, a carta.

Dom Marcelo Carvalheira é pérola que se acha e tudo se faz para não perdê-la, não deixar que ela volte ao mar; assim, foi enviado para ser Bispo de Guarabira (1981), cidade que entrou inevitavelmente também na história da minha vida; veja-se que depois de procurar nas principais cidades do Nordeste, somente em Guarabira achei transporte, o velho omnibus da Expresso Paraíbano, de Gustavo Amorim, para viajar ao Rio de Janeiro, de onde parti no navio Giulio Cesare que, durante treze dias, levou este então jovem de 19 anos à Europa. Retornando, em 1970, logo o amigo Padre José Paulino me convidou para criarmos a primeira escola superior, depois da de Campina Grande, no interior da Paraíba. Onde? Em Guarabira: A Faculdade de Filosofia , Ciências e Letras de Guarabira – FAFIG, hoje UEPB, onde fui professor fundador e seu segundo diretor. Casei-me com a guarabirense Maria Luiza e, quando procurei casa para alugar na Praia de Manaíra, em João Pessoa, só encontrei a de Otinaldo Lourenço, na Avenida Guarabira. Até hoje, que o digam Ana e Ademar, essa rainha do brejo me é benfazeja.

Em 1995, Dom Marcelo é nomeado Arcebispo da Paraíba; instruído por livros e “animado” pelo Espírito, pregou entre nós a natureza teândrica e mística da Igreja, zelando o ânimo da sua ação apostólica, da sua maturidade na fé. Agora, a Arquidiocese o abriga na Basílica de Nossa Senhora das Neves, restando-nos seu exemplo, seu lema Evangelizare ou o mandado de Jesus (Mt. 28, 16 – 20): “Ide e ensinai”.

Damião Ramos Cavalcanti
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