E tome forró

27 jan 2016

Onaldo Queiroga*

O forró tem seu dia legalmente registrado no calendário através da Lei de nº 11.176, de 08 de setembro de 2005, que instituiu o “Dia Nacional do Forró”.

A data escolhida foi o dia 13 de dezembro, data essa correspondente ao nascimento do Rei do Baião. Essa homenagem a Luiz Gonzaga do Nascimento foi mais do que merecida. O forró é filho do baião, surgiu no cenário musical pelas mãos de Luiz Gonzaga do Nascimento.

Gonzaga tirou do seu matulão o Baião, o Xote, o Xaxado e

o Forró. Através desses ritmos cantou as dores do sertanejo, desenhou a trajetória do retirante, protestou e transformou, principalmente, o forró num canto e numa dança que consubstancia a força imensa de promoção da alegria do nordestino. É incrível, mas é inegável o fato de que apesar das letras que integram as canções ligadas ao forró trazerem nostalgia, melancolia, e muito saudosismo, verifica-se, que, mesmo assim, elas conseguem trazer alegria e fazer todo mundo dançar e levantar o poeirão.

Forró é uma festa de raiz do Nordeste brasileiro. Para Câmara Cascudo, forró “é derivado do termo africano forrobodó e era uma festa que foi transformada em gênero musical, tal seu fascínio sobre as pessoas”.

É comum associar o vocábulo forró à expressão inglesa “for all” (para todos), porque no início de Século XX, quando da construção da ferrovia “Great Westem”, no Estado do Pernambuco, os engenheiros ingleses costumavam organizar bailes abertos ao público e, por isso, na entrada havia sempre uma placa sinalizando “for all”, então, os nossos irmãos nordestinos, à época, passaram a ler forró. Para alguns essa versão é fantasiosa, porém, foi difundida brilhantemente por um dos ícones da música nordestina, ou seja, Geraldo Azevedo, quando gravou a música “For All”, onde ele faz uma viagem sobre o tema, relacionando-o à estrada de ferro “Great Westem”.

O forró é patrimônio do Nordeste. Não podemos deixar que o mutilem. Refiro-me a esse plástico que anda por aí, poluindo e denegrindo a imagem do Forró. Plástico é plástico, forró é cultura de raiz, é a alma nordestina. Separemos as coisas. Bandas se intitulam de “forró”, quando não são, num verdadeiro estelionato. Cada um no seu quadrado. E viva o forró.

*Escritor pombalense e Juiz de Direito da 5ª Vara Cível de João Pessoa PB

onaldorqueiroga@gmail.com

Comentários