Eduardo: pelo direito de disputar a Presidência

26 mar 2013


Governador Eduardo Campos deixa, nas entrelinhas do discurso em Serra Talhada, que não abandona o projeto nacional

Fugindo do improviso, o governador Eduardo Campos (PSB) seguiu à risca seu discurso previamente elaborado, nessa segunda-feira, em Serra Talhada, durante a visita da presidente Dilma Rousseff. Passou longe de responder, no palanque, os recados da ministra de Planejamento, Miriam Belchior, mas não deixou de introduzir cobranças sutis à presidente, além de recados sobre seu possível projeto presidencial, em 2014, ainda que sem mencioná-lo diretamente.

Ele sinalizou que, apesar do apoio ao projeto petista, desde a gestão do ex-presidente Lula, e de seu “respeito” à presidente Dilma, não abandonará sua nova postura crítica às ações do governo federal. Tampouco sua movimentação nacional. “Seja bem vinda presidente, volte sempre. Pernambuco lhe respeita. Aqui, a senhora tem um governo, um companheiro e amigo de grandes jornadas. (Mas) tenha a certeza que a generosidade do povo pernambucano jamais vai afetar a compreensão de Brasil que nós temos”, resumiu, em terceira pessoa, já no final do discurso.

Logo de início, fez questão de dizer que Dilma estava sendo acolhida com a mesma “atenção de sempre”, deixando implícita a lista de “poréns” políticos que poderiam ter afetado a recepção à presidente. Eduardo mostrou, mais uma vez, que a despeito do processo de descolamento político do governo petista não quer ser encarado como dissidente.

“Não somos dado a afrontas, mas à luta por causas e ideais. Nosso conjunto político não tem faltado ao Brasil nem apoio político ao governo de Vossa Excelência”, disse o governador.

O apoio do socialista à eleição de Dilma, em 2010, também foi lembrado. Tendo a seca como pano de fundo de seu discurso e do evento em geral, Eduardo elogiou as políticas sociais capitaneadas pelo governo federal, mas, assim como tem feito em suas falas à imprensa, voltou a fazer ressalvas à política econômica. Desta vez, face a face com a presidente.

“Protegemos as pessoas, que é fundamental. Mas estamos assistindo a algo que ainda não conseguimos proteger, que é a economia. Vamos proteger a um só tempo as pessoas e a economia”, completou. Numa referência indireta ao atraso nas obras da Transposição do Rio São Francisco, principal “calo” do governo federal no Nordeste, o presidenciável do PSB pediu que Dilma “construísse” uma saída definitiva para a seca. “Até o próximo inverno, temos que construir essa saída”.

As parcerias com a presidente também foram exaltadas pelo governador que, em seu discurso, ainda se antecipou ao risco de se tornar alvo de retaliação política caso seu voo nacional se concretize. Disse que, assim como ele, Dilma conhece o “gosto” da discriminação e a importância do “diálogo” na democracia. “A luta do povo é muito mais larga que as ambições pessoais. Exige a capacidade de dialogar, respeitar as diferenças e de poder, muitas vezes, somar contrários quando está em jogo a vida das pessoas. Numa seca como essa não podemos dividir os pernambucanos e as brasileiras”, frisou.

JARBAS

Resgatando o que considera integrar seu legado político e administrativo, Eduardo Campos ainda se colocou como responsável por “unir” o ambiente político do Estado. Desde o início o seu governo, atraiu o apoio de adversários históricos, como foi o caso do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) – um dos principais críticos dos governos petistas no Congresso Nacional e que vem defendendo abertamente o projeto “Eduardo 2014”.

Ainda em seu discurso, o governador pernambucano também disse ter “estourado” a cerca dos currais eleitorais de Pernambuco.

Débora Duque
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