Ele, o João

7 jun 2013

Ele, o João
Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 07/06/2013

O famoso escritor Luiz Waldvogel escrevendo o livro “Vencedor em Todas as Batalhas”, disse que “Passeando Voltaire um dia no Parque de Ferney, povoação francesa onde residia, interpelou a um menino que ali se achava: ‘escute meu pequeno, você vê essa árvore carregada de frutas? Pois elas lhe pertencem todas, se me disser onde está Deus.’ O pequeno ficou embaraçado mas, depois de meditar um pouco, respondeu com vivacidade: ‘E  o senhor, poderá me dizer onde é que ele não está?’ Voltaire bateu em retirada.

João de Manezinho tinha as boas ideias desse vivo menino. Era um seguidor fiel dos passos de Cristo, em todos os momentos, por isso não admitia que ninguém ousasse a desmistificar a história do Deus dos deuses. Tudo o que fazia colocava a palavra de Cristo em primeiro plano. Certamente foi inspirado na Palavra do Senhor, respondendo a todos como o garoto diante do destacado ateu Voltaire.

João era um apaixonado por tudo que fazia. Desde que colocasse o nome de Deus em primeiro lugar. Apaixonadíssimo por Cajazeiras, onde houvesse um cajazeirense, ele estava de lado, para engrandecer a terra amada.

Era um gigante quando tinha que defender os cajazeirenses, não importava o local, a altura do enfrentante e muito menos as palavras que colocava para fora. Por isso, um dia assumiu a cadeira parlamentar do Poder Legislativo cajazeirense, com a finalidade especial de bradar com força e amor o nome da terra natal.

Para mim, João de Manezinho era um cajazeirense culto, pois ser culto é saber de tudo, e não apenas jogar para fora as leituras gravadas através dos livros, revistas e jornais. E João conhecia ensinamentos de grande valia e grandioso alcance. Não tinha medo de ficar frente a frente com os intelectuais da época, os conhecedores profundos da história e muito menos dos famosos que amedrontam os mais fracos com as palavras extraídas dos livros expostos nas mais categorizadas bibliotecas do mundo.

De tudo ele muito sabia. Não fugia ao debate. Como parlamentar mirim fez história na Casa Legislativa Otacílio Jurema, defendendo cajazeirenses e cajazeirados com força, amor e civilização.

Lembrado sempre como o construtor do bem. E esse bem de que falo era um misto de bondade, capacidade administrativa, vontade de fazer o bom e o conforto que vinha de dentro da sua alma, buscando sempre o melhor para os conterrâneos por ele sempre admirados.

Não exagero nem um pouco quando elejo João de Manezinho como o eterno ministro das relações exteriores de Cajazeiras. Sim, porque a exteriorização que aqui proclama é a que fica pra fora do território de Cajazeiras, e não a do mundo distante dos nossos limites internacionais. Ele fazia uma propaganda a cada instante quando pisava outras plagas, mostrando que a terra para viver, amar e trabalhar era a sua linda Cajazeiras.

O seu lado carnavalesco era a força íntima para gritar forte o nome da “terra do Padre Rolim”. E assim também era a força desportiva na defesa dos movimentos futebolísticos, dentro e fora dos estádios.

Morreu pobre, não ostentava e nem tripudiava. O seu espírito de comicidade era azeitado pela alegria de transmitir felicidade aos semelhantes. Era o verdadeiro advogado dos humildes, dos mais necessitados. As suas passadas pelas ruas da terra cajazeirense eram testemunhadas por todos, mesmo aqueles que não mediam esforços para escancarar a boca com a finalidade de jogar nodoas na sua vida.

A comicidade, repita-se, era também a alegria das crianças. O poderio animador misturava-se com a simplicidade que com ele nasceu. Não exibia no vestir, em joias e muito menos no posicionamento social. Era um João humilde, pobre de dia e de noite e no pingo do meio dia. Era a alma da humildade nas ruas, e um abraço apertado para todos, nos tribunais, nos casebres, nos grandes templos, na manjedoura do Senhor dos Mundos.

À João de Manezinho, as eternas homenagens do “Caldeirão Político”! As homenagens desse amigo que fica aqui, filmando o seu voo eterno que continuará nos céus como a alegria dos terrestres.

João de Manezinho é o novo, o eterno jovem. Será assim para mim e para todos, acredito. Caiu de pé para a glória dos céus e da terra. Ele é o João! Esse cara era ele! Vamos preservá-lo. Quero ver o busto de João de Manezinho no centro da cidade de Cajazeiras, para a veneração de todos. Ele bem merece.

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