ENTREVISTA: com a profª Vânia Rocha, sobre vida e obra de Luiz Gonzaga

31 maio 2013

“Caldeirão Político”: O que representa Luiz Gonzaga para você?

Vânia: Como uma voz poderosa, que cantou e continuará cantando às belezas e as singularidades do Nordeste, bem como a força, a coragem e a grandeza do seu povo diante dos sofrimentos.

CP: Como e quando começou a sua admiração por Luiz Gonzaga?

Vânia: Na minha juventude ainda, em Patos das Espinharas, onde mora minha família, dançando forró nas festas juninas, comecei a perceber o valor das suas letras musicais, de como esse gênio da sanfona, do triângulo e do baião divulgava nossa cultura.

CP: O que representa nos dias de hoje, para o Nordeste brasileiro, toda essa movimentação em homenagem ao “Rei do Baião”?

Vânia: Representa uma justa homenagem a nossa região e ao nosso povo, bem como um resgate de nossa cultura, e o mais importante, é um veículo de ampla divulgação.

CP: Na sua opinião, está crescendo o número de fãs do “Rei do Baião”? E as razões?

Vânia: Sim, graças a esses movimentos e homenagens, muitos brasileiros tomam conhecimento sobre fatos importantes e desconhecidos sobre a vida e a obra de Luiz Gonzaga, ressaltando que é bom destacar entre esses movimentos e homenagens, o CONPOZAGÃO I e II, e o FESTIVAL DE MÚSICAS GONZAGUEANAS (FESMUZA).

CP: O Exu promove, à altura, a imagem do seu filho mais ilustre?

Vânia: Penso eu que as autoridades locais deveriam promover mais eventos que divulgassem a obra e a vida de Luiz Gonzaga, dada a sua importância para o Nordeste, promovendo articulações entre os Estados, através das secretarias de cultura.

CP: Fale sobre o ato de heroísmo de Luiz Gonzaga quando pacificou o Exu que enfrentava uma verdadeira guerra entre duas famílias tradicionais do município.

Vânia: O governador convidou Luiz Gonzaga para acabar, de uma vez com a briga entre os Alencar e os Sampaios, uma vez que já havia dez mortes entre elas. O Rei do Baião tentou inúmeras vezes, fracassando, até que, com sua sanfona branca e seu chapéu de couro na cabeça, Gonzagão solicitou a Aureliano uma intervenção Federal. O pedido foi atendido, e a intervenção durou até 1983.

CP: Defina quem foi Luiz Gonzaga.

Vânia: Luiz Gonzaga foi um nordestino arretado, que soube correr atrás dos seus sonhos, apesar de muitas dificuldades. Um vencedor até mesmo do preconceito, pois sendo negro e pobre, condição castradora em sociedades preconceituosas, tornou-se Rei.

CP: Qual a sua mensagem real a respeito do inesquecível Luiz Gonzaga do Nascimento?
Vânia: Que precisamos usar nossas potencialidades como instrumentos valiosos contra as injustiças, as exclusões e os descasos sociais.

CP: V. Conheceu Luiz Gonzaga pessoalmente?

Vânia: Infelizmente, não.

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