ESCUDO DA FÉ, por Severino Coelho Viana

7 maio 2018

A vida é boa, mas o viver está insuportável! Rodeada de pessoas de caráter insuportável e intolerável que prejudicam o viver alheio por pura inveja ou egoísmo.

Diariamente apontam os noticiários da mídia, (escrita, falada e virtual) contaminados de crime e violência: crianças exploradas sexualmente; alunos alvejando professores e matando os próprios colegas no recinto escolar; playboys matando homossexuais, açoitando domésticas. O repertório de agressões é vasto, e os cenários, diversos.

Ante a visão triste deste panorama, ainda, por cima, existem pessoas de coração ruim e só pensam em maldade a fim de atormentar o viver dos outros retirando o sossego. São pessoas do mal, perversa, desocupadas e de má índole irrecuperável.

A sociedade se sente impotente e desprotegida. Os governantes não tomam uma atitude enérgica de combate ao crime. A barbárie está presente da cidade mais pacata do interior à metrópole mais desenvolvida no nosso país. Os meios de combate à criminalidade de ordem material e operacional fracassaram por falta de atitude de um bom governante.

As causas da violência são várias e apresentam-se de forma diversificada. A execução de crime dá-se de lugar ermo, escuro e afastado à sala da comissão de licitação do palacete mais sofisticado.

A solução para a questão da violência no Brasil envolve os mais diversos setores da sociedade, não só a segurança pública e um judiciário eficiente, como também demanda com urgência, profundidade e extensão à melhoria do sistema educacional, saúde, habitacional, oportunidades de emprego, dentre outros fatores. Requer principalmente uma grande mudança nas políticas públicas e uma participação maior da sociedade nas discussões e soluções desse problema de abrangência nacional.

A violência não se reduz a atos contra a integridade física, psicológica ou financeira das pessoas, ela também se dá de modo velado e imperceptível, subliminar, chegando a intentar contra pensamentos, opiniões, valores, crenças, etc.

Os tentáculos do Estado deixaram de alcançar determinados espaços na sociedade. Seja por falhas em seu papel educacional, seja por falhas em seu papel econômico, o próprio Estado regou as sementes dos chamados “Estados paralelos”. E como todo Estado legítimo, esses paralelos buscam o domínio utilizando-se da violência.

 

A nossa vida diária é de muito trabalho, correria, ansiedade, tormento, estresse e violência. Logo cedo quando ligamos a televisão à primeira notícia aparece na manchete: “morte por acerto de tráfico de drogas”, assalto à mão arma seguido de morte”, “criança estuprada por marginal”, “caixa eletrônico explodido”, cadáver desovado encontrado” etc.

Essa ladainha de contas infindáveis é repetida todos os dias, o fato, nós já conhecemos, resta somente saber quem é a autoria do crime.

Por mais visível que seja a nossa cruel realidade, nós não devemos pegar a arma de fogo e sair atirando para cima em busca de resolver o problema da criminalidade. Reivindicamos ao poder público que nos dê o mínimo de segurança cuja obrigação é assegurada ao Estado para o bem coletivo da cidadania.

Como o Estado não dispõe dos meios necessários para devolver a tranquilidade coletiva e assegurar a paz social, já que estamos num mundo onde “salve-se quem puder”, temos as nossas armas de proteção: a oração e a fé.

A fé é uso da mente ligada ao Ser Superior, tornando-se a nossa arma de ataque contra a guerra diária. Com o nosso escudo de fé podemos eliminar todos os raios malignos impostos pelas as adversidades da vida. Esteja de prontidão com seu escudo erguido pela manhã, à tarde e à noite. Todo momento a nossa fé deve ser usada. É como se tivesse falando com o Divino permanentemente. O escudo não pode sair dos nossos braços, sempre à mão direita como o maior recurso de defesa.

Devemos agarrar com todo o ímpeto do nosso coração o escudo de proteção. O pensamento positivo é o norte. As palavras de esperanças sejam alvissareiras. Não use a coragem para prática de violência, mas tenha como consolo para superar os obstáculos. Caminhe para frente com a certeza da vitória, levante as mãos para os céus em forma de agradecimento ao poderoso Deus!

Não aceite os conselhos dos seus temores e siga a sua batalha de fé no âmbito da guerra interior. Com a cabeça erguida de ânimo, lance o medo no balaio do imprestável, encontre na sua mente o fulgor da ousadia e mantenha no lugar mais reservado do seu coração. Use a palavra de Deus e destrua fervorosamente cada inimigo que está escondido na próxima esquina ou lado de sua mesa.

Nós acreditamos no combate à criminalidade somente quando cada um jogar fora o grau de violência que carrega dentro de si. Todos nós temos um pouco de violência nas nossas entranhas que varia do menor para o maior grau dependendo da índole individual. É aquele grau de superioridade que o vagante carrega na ponta do nariz, é aquele instinto vingativo que não perdoa nada, é aquela vontade de brigar contra o vento, é aquele sentimento de que tudo tem que ser respondido senão será transformado numa grande mágoa. Ora, se a pessoa carrega essa tonelada de guerra dentro de si como erradicar a violência externa das outras pessoas? São as chamadas pessoas de pavio curto. Porque sabemos que existem pessoas de má índole. É preciso descobrir esta má índole e trabalhar para refazer o seu estilo de convivência social.

Não adianta saí pregando aos quatro ventos que é defensor da paz social e da paz mundial quando dentro de si carrega um míssil de guerrilheiro!

Não adianta ter um emblema de harmonia na língua e sua mente traquejada de maus agouros e sentimentos de revolta contra tudo e contra todos.

Não precisa viver com a boca aberta mostrando aquele sorriso amarelo quando se percebe os raios de veneno saindo do seu olhar.

Não dê um abraço falso quando rejeita a amizade pessoal com aquela ideia maligna de que é amigo de todos!

Não só cuide da violência dos outros, no entanto, tente erradicar a violência que traz dentro de si mesmo!

Para isso use o escudo da fé!

 

João Pessoa, 07 de maio de 2018.

 

SEVERINO COELHO VIANA

scoelho@globo.com

 

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