FANATISMO

10 jul 2017

Por Severino Coelho Viana

fanatismo

A princípio e a nosso sentir, com fundamento nas nossas observações diárias, consideramos que todo e qualquer forma de fanatismo caracteriza um desvio psicológico, por constituir uma adesão incondicional a uma causa e abraçar um sentimento desmedido na base desta adesão como se fosse a verdade absoluta, esquecendo-se de olhar para dentro de si e ver os próprios erros.

Essa cegueira que causa a paixão leva os fanáticos a comportarem-se, em certas ocasiões, de forma violenta e irracional. Os fanáticos estão convencidos de que as suas ideias são as melhores e as únicas válidas, pelo que menosprezam as opiniões contrárias.

O fanatismo se expõe de forma mais contundente no campo da política, do esporte e da religião. É uma adesão passional a uma ideologia, doutrina ou seita que vira a mente do indivíduo a cometer sandices irracionais.

A ridicularidade do fanático por alguma coisa ou pessoa só vê nela qualidade e a superestima numa exaltação entusiástica. O fanático quando olha o lado inverso da moeda só vê defeitos, combatendo-o com ódio implacável.

Um fanático não passa de um fabricante de deuses ou de vítimas, por isso, são criadores de mitos.

O fanático se insurge até contra as evidências, pela causa que está empenhado e aceita, apaixonadamente, o sacrifício total, mesmo sabendo que a causa é perdida. Portanto, o fanatismo apresenta afinidades marcantes com os fenômenos da histeria e do masoquismo.

A pior situação verifica-se quando o fanatismo atinge uma dimensão social, isto é, quando se torna fenômeno coletivo, podendo induzir um grupo ou um povo inteiro às mais impensáveis loucuras.

Por conta disso, o fanatismo político representa uma ameaça constante contra a democracia.

Enquanto isso, o observador da razão assimila perfeitamente o fanatismo nos seus três sentidos: a) no campo do esporte, sente como um absurdo de ideia; b) no aspecto religioso, analisa como um pecado descrito na própria linguagem da Bíblia; e, c) no âmbito político, compreende que não passa de uma aberração cerebral.

Por que o fanático não arranca de dentro de si essa monstruosidade?

A psicologia afirma que o fanatismo surge a partir da necessidade de segurança que sentem as pessoas que são precisamente inseguras. Trata-se de uma espécie de compensação perante um sentimento de inferioridade.

João Pessoa – PB, 10 de julho de 2017.

SEVERINO COELHO VIANA

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