“Faze o que tu queres”

7 jun 2013

Adoto um conceito e sentimento com relação à arte que se estende a diversos outros aspectos da vida. Melhor, se a arte está em tudo, necessariamente este conceito estará.

Não precisa ser afinado, bem traçado, etc. Não é necessário vestir roupas em cores cítricas, em neon (ou em led) para chamar atenção. Aliás, cabe um adendo. A imagem também faz parte, é intrínseca quando da apresentação de algo, seja o que for. Ela também se faz presente num momento de criação, por que não?! Talvez seja na imagem que identificamos qual é a do cara, o que quer dizer. É o primeiro contato com alguma ideia. Indo além, pode dar pistas de sua ideologia, delineada ou não. Tudo bem, a imagem, que compreende o visual, as técnicas de oralidade, etc, etc, fazem parte do espetáculo pelos palcos da vida, artística ou cotidiana.

Penso, mesmo assim, que o lance é ser honesto. Propor-se a algo utilizando a alma (ou, para os mais descrentes, trazendo o sistema nervoso ao seu favor), com sangue nos olhos. O sorriso e os olhos de uma pessoa quase sempre entregam. Impossível ser falso o tempo inteiro. Talvez exista gente que consiga, vai saber… Por outro lado, em diversas vezes nos sentimos obrigados a valer, talvez não da falsidade, mas do exercício do recuo, fazendo coisas com as quais não estamos com o menor pique. Estabelecendo limites, acho imprescindível perceber que o mundo não concatena órbita com nosso umbigo (a despeito de muitas pessoas agirem como se fosse) e que o meio alimenta enquanto alimentamo-lo.

Esse arrodeio é pra exaltar o quão é legal fazer aquilo que tu tens vontade de fazer. Raul Seixas nos diz em “A Lei”, canção – manifesto da Sociedade Alternativa, que prevaleça o amor, mas o amor sob vontade. “Essa é a nossa lei e a alegria do mundo”, bradava. Penso que é por aí mesmo. Você só faz aquilo que tem sede por fazer. E ela é motivada por aquilo em que se acredita que faça parte de si, que o furor da realização faz levantar seus pelos que ainda estão para nascer. Desta feita digo sem o “talvez”: QUANDO O CABRA TEM VONTADE MESMO, A COISA SAI. Até o Paulo Coelho (que não me diz muita coisa) disse isso. “Se QUISERES algo do fundo da alma, o universo inteiro conspira” (e blá, blá, blá). É mais um exemplo. Quando se quer e, principalmente, se consegue, aí é o felling, o Nirvana, as mandalas, o que for. Se se parar pra pensar, a gente faz tanta coisa pra atingir esse estado de espírito (ou a tal sensação de gozo do sistema nervoso) que não nos damos conta. Movemos céus e terra. Fazemos coisas que não gozamos tanto (ou o tal recuo dito acima). Dedicamos longos períodos de vida (estudos, ensaios, dispêndio de força de trabalho). Mesmo sabendo que estamos metidos ao máximo nesta prisão social, há algo que nos orienta a mandar tudo para o raio que o parta e a avançar naquilo que acreditamos piamente e que alumia a construção de algo novo.

O novo?! Quem sou eu pra contrariar o “Belchis”… “O novo sempre vem”!

___________
Diego Nogueira
diego_nod@yahoo.com.br

Comentários