Feijão com Arroz

24 abr 2013

Feijão com Arroz

UMA PÚBLICA AÇÃO INDEPENDENTE PENDENTE

Filiado à FEBAC – Federação Brasileira de Alternativos Culturais
Zés-Ditores: Dalmo Sarava  y  Omlad Aviaras
Terra – Brasil – número 316 – Setembro de 2012

É fácil a agulha entrar no camelo quando este está em seu buraco. Difícil é explodir uma bola de sabão e depois tentar descobrir o que estava dentro. Nada. Nada é como definimos, mas não temos certeza. Não temos certeza nem no que está dentro de nós. Esse emaranhado de tripas e sangue que embalam e dão nó de vez em quando. É por isso que o ouriço atiça os seus espinhos quando mexem com ele. Força motriz de todo ser que se movimenta. Agudeza de veias velhas.

Dizem que a tartaruga dura duzentos anos. Não sei se é isso. Nunca acompanhei uma durante todo esse tempo. E se a acompanhasse, eu a deixaria para trás porque os meus passos são mais largos do que os dela. Bom mesmo é que ela não fala nada, mas diz tudo. Eu digo tudo e não falo nada. Nada. Nada. Talvez seja um pensamento de urubu que não fala, não pia, não canta, não berra e não reclama de nada. Fica só naquela de misterioso observando o que vai comer amanhã.

É difícil mesmo subir o Himalaia dando cambalhotas. Fácil é descer os Andes andando e depois dizer que o ponto culminante do corpo é a cabeça.  Eu não me chamo Salomé nem Salomão. H dois zóios. H2ÁGUA. É disso que precisamos.

Dalmo Saraiva

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