Flor cearense

21 maio 2013

Flor cearense
Onaldo Queiroga*

Tu és uma flor cearense que brotou em meio às águas de Iracema. Bebestes o saber de José de Alencar e a redação fácil de Carmelita Setúbal. Trouxestes a religiosidade de Antônio e Raimunda Rocha. Foi na confluência dos Rios Piancó, Piranhas e Peixe que eles te cultivaram para o mundo, época em que te chamavam de “Galega”, aquela menina bela, inteligente, sapeca e de alto astral.

No sertão dos holandeses transformastes a seca em águas límpidas escorrendo pelas biqueiras de tempos inocentes, águas que desciam e
lavavam sua Rua João Pessoa, berço de sua infância, adolescência, tristezas, glórias e eternas lembranças. Aquele cenário sempre foi e será templo sagrado dessa menina. Pombal foi regando-a e aos poucos o tempo foi transformando-a numa flor paraibana. No início da década de 1960 conheceu seu amor e companheiro com quem se casou em 1965.

Após residir em Catolé do Rocha e Campina Grande, o tempo transportou a menina cearense para a capital paraibana. A flor, agora, era das acácias, dos corredores da antiga Faculdade de Direito da Praça João Pessoa, onde se formou em 1976, e, logo depois de aluna tornou-se professora de Direito Penal. Nesse tempo a menina já era uma loira dos outonos da maturidade, que em contos, começou a contar os seus próprios contos. Seguindo os passos de sua tia Carmelita, de acadêmica passou também a ser escritora, entregando ao mundo seus livros, seus pensamentos e suas ideias.

A Galega dos jardins de minha vida é uma pérola dos mares do futuro cearense, do Cine Lux de Pombal, da praia de Tambaú, do farol da Ponta do Seixas, que nas noites sem Lua, espelhando bússola, norteia seus navegantes. Essa flor das fortalezas, de Rochedos, ancoradores de ondas enfurecidas, de praias belas e que a tudo abraça, é na verdade a timoneira dos herdeiros da Nova Acauan. Rocha das soluções, sim tu sempre foi e será a acácia Iracema na terra dos coqueirais e da porta do sol oriental.

Essa flor é minha mãe, Onélia. Um brilhante que reluz paz, que nos guia pelas veredas tortuosas de tempos e tempos. Na sua nave não há tempestade que não possa ser vencida. No seu coração, só alegria. Verdadeira, mulher que fala olhando no olho. Não foge de seus princípios para agradar ninguém. Já me indagaram se tu tens defeitos, e logo respondi: não sei, apenas agradeço a Deus por ter me permitido ser seu filho.

*Escritor pombalense Juiz de Direito da 5ª Vara Cível de João Pessoa PB
onaldoqueiroga@oi.com.br

Comentários