Ibope: Lula é hoje 37% mais forte que Dilma em disputa para a Presidência

19 jul 2013

Presidente despencou de 58% para 30% de março até domingo passado e supera a 2ª colocada, Marina, por 8 pontos porcentuais; ex-presidente, que nega intenção de disputar, é o mais competitivo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria até 37% mais forte do que a presidente Dilma Rousseff como candidato do PT à Presidência, se a eleição fosse hoje. Isso porque Lula teria 11 pontos porcentuais a mais do que Dilma em um dos cenários testados pela pesquisa nacional Ibope, feita em parceria com o Estado entre quinta-feira e domingo passados.

No cenário estimulado com quatro candidatos à Presidência, Dilma tem 30% das intenções de voto, contra 22% de Marina Silva (sem partido), 13% de Aécio Neves (PSDB) e 5% de Eduardo Campos (PSB). Caso o PT decidisse substituir a candidatura de Dilma pela do ex-presidente, contra os mesmos adversários, Lula chegaria a 41%, e os adversários ficariam, respectivamente, com 18%, 12% e 3%. Por comparação, a intenção de votos de Lula é 37% maior que a de Dilma Rousseff.

Nesse cenário, a vantagem do candidato do governo/PT em relação à segunda colocada, Marina Silva, seria de apenas 8 pontos com Dilma como candidata, e de 23 pontos com Lula na disputa. Segundo reportagem do Estado publicada ontem, o ex-presidente disse a petistas que é “burrice” segmentos do partido falarem em “Volta, Lula”.

Em um outro cenário, com cinco candidatos à Presidência, Dilma fica com 29% das intenções de voto, contra 21% de Marina e 12% de Aécio. Os três perdem um ponto porcentual com a entrada no páreo do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. O magistrado chega a 6%, contra 5% de Eduardo Campos.

Nesse segundo cenário, trocando-se Dilma por Lula, o candidato do PT cresce dez pontos e chega a 39%. Marina cai para 17%, Aécio permanece com 12%, Barbosa fica com 6%, e Campos cai a 3%.

Espontânea. A primeira pergunta do Ibope Inteligência sobre a sucessão pediu ao eleitor que dissesse em quem ele votaria se a eleição fosse hoje, mas não apresentou opções. Nessa resposta, dita espontânea, Dilma ficou com 16% das intenções de voto, contra 12% de Lula, 5% de Aécio, 4% de Marina, 3% de Joaquim Barbosa, 3% de José Serra (PSDB), 1% de Eduardo Campos e 1% de Geraldo Alckmin (PSDB).

Outros 40% dos brasileiros não souberam dizer espontaneamente o nome de um candidato a presidente, e 13% responderam que votariam em branco ou anulariam. Demais nomes somaram 1%.

Em comparação à pesquisa feita pelo Ibope em março, Dilma perdeu mais da metade de sua intenção de voto espontânea. Ela tinha 35% de citações na pesquisa anterior, contra 16% agora. A perda de eleitores coincide com a queda abrupta da popularidade da presidente após as manifestações de rua ocorridas desde junho.

Histórico. No único cenário estimulado que é comparável ao da pesquisa de março, Dilma também despencou. Na simulação com quatro candidatos, ela caiu de 58% para 30% de intenção de voto estimulada. Ao mesmo tempo, Marina cresceu 10 pontos: de 12% em março, para 22% em julho. Aécio ganhou 4 pontos: de 9% para 13%. Campos oscilou de 3% para 5%.

Também foi notável a expansão do voto nulo e branco. Entre março e domingo passado, a taxa dos que não votariam em nenhum dos candidatos dobrou de 9% para 18% – mais um reflexo do descontentamento dos eleitores com os políticos.

O crescimento de Marina se explica, em parte, pela inversão das preferências dos eleitores mais ricos.

José Roberto de Toledo – O Estado de S.Paulo

Fonte: O Estadão

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