Insolvência estatal

3 ago 2018

Nestes caminhos das ações humanitárias fui recebendo para visitas e troca de conhecimentos, estrangeiros que chegavam e ficavam querendo saber como funcionava a Casa do Bem.

Depois de mostrar tudo começava a papear, e perguntava como eles faziam onde moravam para ajudar. A grande maioria afirmava que lá não havia muito o que fazer. As demandas que surgiam eram atendidas pelas estruturas criadas pelo poder público, ficando as almas boas livres para enviar recursos para outros países e, até viajar, exclusivamente para ajudar, o que muitos faziam por questões espirituais ou até para dar sentido ao monte de grana que tinham e nem sabiam mais como gastar.

Aqui no Brasil o Estado está acabando com tudo que ajuda o povo, faz tempo que os políticos foram lentamente transferindo para si mesmos, todos os recursos, deixando a população ao “Deus Dará”, chegando ao ponto da própria comunidade, começar a criar entidades, chamadas de não governamentais, para cuidar dos animais de bobeira por ai, dos doentes, abandonados, das crianças apartadas dos pais, dos pobres, drogados, dos discriminados, idosos, natureza, enfim, o Estado praticamente não cuida mais de nada, deixando tudo para que nós mesmos, tomemos conta, com poucas administrações ficando fora desta generalização, me perdoem os que efetivamente não são assim.

Estes dias fui na casa dos avós de Mel e lá presenciei uma reunião de moradores do bairro de Morro Branco. Cansados da violência, através da Associação Potiguar de Defesa da Cidadania, criaram condições para o bairro ter uma base militar, adquiriram câmeras, enfim, criaram uma invejável estrutura que reduz os riscos e dá mais tranquilidade aos moradores.

Observamos a sociedade se movimentar em várias direções, o que não deixa de ter seu lado bom e positivo, por inserir muitas pessoas no universo da compaixão, solidariedade e fraternidade, mas, lógico, seria bem melhor para os que precisam, se o Estado, cheio de grana paga por nós mesmos, pudesse efetivamente cuidar de tudo e, nós, voluntariamente, trabalharíamos dando suporte.

Pagar por tudo e ainda fazer o papel do Estado, observando seus usufrutuários na riqueza e na moleza, ai não tem cristão, budista ou muçulmano que aguente.

Que situação, rapaz…

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