Lançamento do livro Riacho da Vida, do Dr. Onaldo Rocha Queiroga

23 maio 2017

DISCURSO DO AUTOR ONALDO QUEIROGA

Riacho da Vida

O Riacho da Vida é o meu nono livro. Trata-se de uma obra muito significativa para mim, pois retrata a trajetória de vida do meu pai Antônio Elias de Queiroga. Não foi fácil escrevê-la, isto por vários motivos.

Primeiro, a escrevi sem que meu pai soubesse. Confesso que no início tive dificuldades para definir como formataria o livro, até porque, não teria ajuda do biografado. Mesmo assim, comecei a coletar dados, como fotos, cópia de documentos e passei a construir áudios com entrevistas com o meu pai, sem que ele percebesse. Isso ocorria principalmente aos sábados, no shopping Manaíra, onde ele reunia e ainda reúne os filhos, semanalmente. Lá no cafezinho, eu colocava o meu celular para gravar a conversa que mantínhamos, e sem que ele notasse passava a contar toda sua trajetória de vida. Coletei também depoimentos gravados com alguns parentes e amigos dele. Depois, repassava essas gravações para o HD do computador, e, posteriormente, realizava a transcrição de tudo que havia sido gravado. Um trabalho árduo e de muita paciência.

A partir daí começou efetivamente a construção da biografia. Foram muitos áudios. Tive, ainda, o cuidado de pesquisar notícias em recortes de jornais guardados pela minha mãe, os quais registram até hoje as matérias jornalísticas noticiando histórias vividas pelo biografado, destacando-se as notícias sobre o enfrentamento de processos judiciais de alta complexidade e até rumorosos.

Após dez anos de pesquisa, então, estabeleci o roteiro a ser seguido. No entanto, percebi que um livro só ficaria muito volumoso, com mais de 500 páginas. Resolvi, assim, promover a divisão da biografia. O primeiro livro, justamente, o Riacho da Vida, que agora lanço conta a história de Antônio Elias de Queiroga a partir do seu Bisavô Benedito Marques da Silva Acauan, passando pelo seu nascimento em Sousa-PB, por sua inesquecível infância na Fazenda Nova Acauan, percorrendo sua vida escolar, sua formatura no Curso de Direito, em Recife. Narra também o advogado e o idealista que sonhava por dias melhores no difícil período da ditadura, e, que se transformou, por concurso público, no juiz de Bonito de Santa Fé, de Uiraúna, de Catolé do Rocha, de Campina Grande e de João Pessoa.

O livro, ainda, apresentará ao leitor o encontro do biografado com sua Onélia, seu noivado, o casamento, enfim, a família resultado desse amor. Mostra a importância dessa cearense, que ao lado do meu pai enfrentou inúmeras intempéries, mas como rochedo da terra da Luz, Fortaleza, soube entregar o suporte necessário para que fossem vencidas todas as dificuldades.

Com sua chegada ao Cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba, então, fecha-se esta obra, evidentemente, que o restante da trajetória de vida do biografado estará reservado para o segundo livro, o qual será lançado em 2018.

Meus senhores, minhas senhoras.

Peço licença para agora fazer uma pequena viagem sobre a vida do biografado.

Pois bem. O Filho de Vicente e Olívia nasceu no sertão paraibano. Sim, nesse sertão de sol causticante, de seca e de provação. De homens fortes e valentes. De povo prestativo e acolhedor. De invernada, de águas correntes e abençoadas. De dias ensolarados e noites encantadoras. Foi nesse cenário, numa alvorada do dia 17 de agosto de 1936, que veio ao mundo o meu pai – Antônio Elias de Queiroga. Nasceu, como já disse, na cidade de Sousa, sob a proteção de Nossa Senhora dos Remédios, sua madrinha celestial.

Batizado pelo nome de Antônio Carlo, por Frei Damião, o biografado foi criado na Fazenda Nova Acauan, onde ali, quando o dia amanhecia, deitado numa rede, sentia o frio da madrugada se despedir, dando lugar a luz e ao calor do sol nascente. E com o pé na parede, balançava a rede, vendo a luz do sol surgindo lentamente pela fresta da janela. Ao seu ouvido, chegava o canto do movimento da passarada, o barulho dos galhos das árvores, o canto mágico dos sabiás, dos galos-de-campina e das rolinhas entoando “fogo pagou”.

Daquela rede, em seu inocente balanço, ouvia, ainda, o som do mugido do gado e o aboio do vaqueiro, Vicente Benvindo. Ouvia o barulho da vassoura, nas mãos de Maria Pequena, a varrer o terreiro. Do alpendre, vinha o resmungo de Chicotó; da cozinha, ouvia outro som, a voz altiva de sua mãe, Olívia, que avisava: a mesa encontra-se posta.

Vicente, seu pai, na calçada, de posse de um tamborete, o encostava à parede lateral da casa-grande, para contar histórias aos moradores.

Ali no sertão da Nova Acauan, o senhor, meu pai, assistia o mistério do alvorecer, do renascimento, da luz que clareia o mundo, acorda os homens, animais e plantas. Pelas frestas das telhas, o ouro solar, energia divina, renovadora que conduz a força que move o trabalho e que alimenta a vida, na bondade de Deus permitia que o senhor enxergasse o clarão da esperança no imenso azul do céu, e, o amanhecer sufocar o breu da noite, o canto da coruja e a tristeza que dormia sob o manto da escuridão.

Assim foi sua infância, repleta de alegria, beleza, paz e amor.

Da fazenda o senhor migrou para Pombal onde morou na casa da Irmã Marly. Depois foi para Patos, onde estudou interno no Colégio Diocesano, do inesquecível Monsenhor Vieira. Após cinco anos de internato foi para Recife, onde estudou no Colégio Padre Félix. Em seguida, passou a estudar direito, na histórica Faculdade de Direito de Recife, onde concluíra no ano de 1962 o Curso de Direito. Retornou à Pombal, atuando como advogado até lograr êxito no concurso de Juiz de Direito da Paraíba, assumindo sua primeira Comarca, Bonito de Santa Fé, no dia 27 de novembro de 1964. De lá foi removido para Uiraúna, de onde foi promovido para Catolé do Rocha, atuando por cinco anos como magistrado. Em 1971 foi para Campina Grande e no ano de 1977, veio removido, definitivamente, para João Pessoa, onde sua família já se encontrava residindo. É importante destacar que como juiz da Capital paraibana assumiu, inicialmente, a 10ª Vara da Capital, que depois fora transformada em 5ª Vara Cível, onde ficou até o início de 1988, quando foi promovido, por merecimento, ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba.

É um homem de várias pátrias, Sousa, Pombal, São Domingos, João Pessoa e tantas outras. Carrega consigo o vigor de sua autoridade de magistrado, temperado pela simplicidade e a fé em Deus, que o protege nessa longa caminhada.

Não é um homem qualquer. Sua passagem por este mundo precisava ser registrada em livro. Esta homenagem teria que ser com o senhor presente. Por isso, aceitei o desafio de escrever esta obra. Defeitos, todos nós temos, mas seus acertos são tantos que eu nem me lembro dos deslizes, que por acaso o senhor tenha cometido.

Deus nos concedeu a Graça deste momento. Aqui entrego ao senhor e a todos amigos e amigas presentes, o Riacho da Vida, obra que possui uma linguagem de fácil compreensão e que não é só o começo da história desse sertanejo, mas permitirá ao leitor viver uma parte da rutilante da jornada de vida do Desembargador Queiroga, que sobre os trilhos da coragem, da dignidade e da fé em Deus, sempre buscou construir no justo, sua estrada da vida.

Este livro tem o Prefácio Irapuan Sobral e a apresentação de Rodrigo Toscano, por isso, fica aqui o registro os meus sinceros agradecimentos aos dois amigos que me ajudaram a realizar este sonho que ora entrego..

Fica também os agradecimentos aos amigos José Viera Neto, Gilberto Lopes e Ricardo Araújo, por terem, decisivamente, contribuído para a construção desta obra. Da mesma forma, agradeço aos amigos Beto Brito e Pedro Tavares, que possibilitaram a materialização deste livro.

AGRADEÇO, ainda, ao Tribunal de Contas, na pessoa de seu Eminente Presidente André Carlo Torres Pontes, como também ao amigo Flávio Sátiro Fernandes Filho, Diretor do Centro Cultural Ariano Suassuna, como também ao Presidente do Tribunal de Justiça, o Desembargador Joás de Brito Pereira Filho.

Por fim os agradecimentos a minha mãe e a minha esposa, como também e acima de tudo a Deus.

Caminho para o final desta fala, afirmando que prazerosamente o leitor descortinará detalhes memoráveis da trajetória de vida do biografado.
Permitam-me, concluir declamando, ao senhor, meu pai:

Tu és ainda o mesmo Antônio Carlo
O menino de Olívia e Vicente
Que na Nova Acauan brincava solto nas asas da inocência
Aquele que corria intrépido pelas margens do Riacho do Mineiro

Tu és ainda aquele adolescente da eterna São Domingos

O afilhado de Nossa Senhora dos Remédios
Que com o seu irmão Dedé passeavam no lombo de farrista e borboleta
Aquele que corria faceiro pelas veredas do tempo da Nova Acauan

Tu és ainda o mesmo Antônio
O aluno do Padre Viera
Que no Diocesano de Patos bebera a sabedoria da vida
Aquele que ali corria lépido nas asas dos seus próprios sonhos

Tu és ainda o mesmo estudante da Faculdade de Direito de Recife
O jovem aplicado e de ideias arrojadas
Que no tempo se fez advogado dos pobres e juiz vocacionado
Aquele que corria peregrino distribuindo justiça pelo Estado da Paraíba

Passa o tempo e os dias se transmudam em anos
O branco já reluz em teus cabelos
Símbolo da paz que resplandece de tua alma
O tempo a tempo que insiste em te vencer
Mas tu continuas triunfante,
Teu espírito, tuas convicções, teus pensamentos não têm idade

O senhor é para mim, Meu pai, meu amigo, sempre foi e será o meu norte, a quem respeito e eternamente amarei.

Muito obrigado.

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