Liberdade como farol

17 maio 2016

(*) Rinaldo Barros

O Brasil precisa urgentemente de uma Educação nova que se proponha a servir aos interesses da Nação como um todo, e que se fundamente sobre o princípio da libertação.

Todavia, no clima de velório que emana do governo Dilma, talvez seja bom acalmar e parar para refletir um pouco sobre o Brasil real; aquele que não aparece na propaganda enganosa, paga com o dinheiro dos impostos, paga com o suor da maioria sofrida do nosso povo.

Pois, com nossa economia arruinada (com inflação sem controle, desemprego crescente, fuga de investidores, juros altos e governo sem credibilidade, à beira de ser apeado do poder), a verdade é que nossas crianças ainda brincam na lama do esgoto a céu aberto em muitas comunidades periféricas; milhares de famílias ainda são soterradas em casas cuja segurança ninguém controla; nossos jovens estão perdidos, em meio à epidemia do crack, à mercê dos traficantes, e são assassinados nas esquinas; em favelas ou condomínios de luxo – tanto faz – somos reféns da bandidagem geral; e os velhos, mulheres e crianças pobres estão morrendo, sem atendimento, no chão dos corredores dos hospitais públicos.

Políticos e grandes empresários continuam numa queda de braço para ver quem é o mais impune dos corruptos, e está provado que os brasileiros somos péssimos em Educação.

A Educação no Brasil vai muito mal. Nosso país está atrasado nesse quesito, perdendo até para países vizinhos. O que os argentinos e os uruguaios fizeram, a partir de meados do século 19, nós só começamos a fazer na segunda metade do século 20. Temos um atraso histórico de 100 anos em relação a nossos vizinhos.

Não vou nem comparar com a Finlândia, Alemanha, Canadá ou Japão. São de outros planetas…

É óbvio que a Educação é a base que falta para que o Brasil deixe de ser um país de injustiças sociais e econômicas. E é patético que nosso futuro ainda dependa da manipulação escancarada da população mais carente, desinformada e despreparada, sem condições de discernir o que é melhor para si e para a Nação.

Os pobres estão naufragando a partir do 4º. Ano do Ensino fundamental; a maioria para de estudar, não porque tenha de trabalhar, mas porque sente que não está aprendendo nada que seja útil para sua sobrevivência, no mercado de trabalho. Metade, eu disse metade, dos jovens abandonam o Ensino Médio, sem concluir.

Precisamos muito de crianças que saibam ler, escrever e contar no fim do 4º. Ano do Fundamental; de jovens que consigam raciocinar e tenham o hábito de ler pelo menos um jornal diariamente, no Ensino Médio; de universitários que possam se expressar falando e escrevendo corretamente, em lugar de copiar trabalhos.

Qualidade na Educação e Liberdade de expressão também são pilares da Democracia!

Que a Educação do futuro, alargando a sua finalidade para além dos limites do individualismo, assuma, com uma feição mais humana, a sua verdadeira função social, preparando-se para trocar “a hierarquia autoritária” pela “hierarquia das capacidades, do talento, e do mérito”, recrutadas em todos os grupos sociais para os quais devem se abrir as mesmas oportunidades. O povo quer e merece mais.

Educação que desenvolva os meios de ação durável com o fim de dirigir o desenvolvimento integral do ser humano, em cada etapa de seu crescimento.

Educação que tenha o seu ideal condicionado pela vida social, mas profundamente humano, eivado de solidariedade e cooperação. A escola do futuro deve ser prazerosa para a infância e a juventude, e deve ser também destruidora de preconceitos. Deve servir para transformar as futuras gerações em cidadãos solidários.

A escola tradicional, ultrapassada, que sempre manteve o indivíduo na sua autonomia isolada e estéril, resultante da doutrina do individualismo, teve até importante papel histórico no início da formação da sociedade atual. Mas, o seu tempo já passou, está perdida e desnorteada em relação aos novos desafios do século XXI.

A escola do futuro deve ter como base a atividade produtora do conhecimento científico e tecnológico, como fundamento da sociedade humana; tendo a Liberdade como farol.

Urge restabelecer, entre homens e mulheres, o espírito do (re) encantamento, com disciplina e respeito pelos educadores, solidariedade e cooperação, por uma profunda obra social fundada nas imensas possibilidades oferecidas pela Tecnologia da Informação.

A Educação tem uma função social estratégica para a construção do desenvolvimento sustentável. Mas, para se fazer vida, depende de encontrarmos a saída desta encruzilhada do labirinto: o que fazer após o impeachment da Dilma? Primeiro passo: novo pacto federativo, reduzindo o tamanho do Estado. Depois, Educação como prioridade máxima, e a Liberdade como farol.

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

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