Maria da Fazenda

5 abr 2013

Maria da Fazenda
Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 05/04/2013

Uma figura lendária da região da Grande Sousa, conhecida por todos como “Maria da Fazenda”, passou a maior parte de sua vida no sítio Lagoa Redonda, na companhia dos fazendeiros José Ferreira Rocha e dona Maria Olívia Sarmento Rocha.

Era uma espécie de filha do casal. Trabalhava muito, administrando a cozinha do casarão da fazenda, fazendo festas para as inúmeras pessoas que chegavam por lá diariamente.

Lagoa Redonda era uma das fazendas mais visitadas do sertão paraibano, por três motivos principais: o coronel Zé Rocha era político, pertencente aos quadros da União Democrática Nacional (UDN), tendo inclusive disputado a prefeitura de Sousa em 1947. O casal proprietário tinha a excelência das boas maneiras, tratava os visitantes com estima e carinho. A fazenda era conhecida como um lugar festeiro, especialmente para recepcionar os amigos do coronel.

Maria assistiu a toda movimentação da Lagoa Redonda, trabalhando dia e noite para manter a fazenda sempre pronta para as recepções aos nobres, que costumavam visitar as belezas daquele lugarejo.

Inegavelmente, foi Maria quem criou a família do coronel Zé Rocha, constituída por sete filhos: Maria Olívia, Chiquita, Joana D’arc, Quinquina, Neli, Edinê e Luiz Rocha.

Em termos de cozinha, sabia fazer tudo no melhor gosto, sempre alegre, agradando a todos, ricos e pobres.

Acompanhei muito bem a luta diária de Maria, parecia incansável, sem nunca reclamar dos trabalhos, que começavam às cinco da manhã e se prolongavam até meia noite, às vezes sozinha, para fazer tanto trabalho.

Uma mulher sempre alegre, fazendo companhia constante com o irmão Peixoto, vaqueiro da fazenda. O progresso da propriedade dependia muito dos trabalhos desses dois irmãos, que guardaram lealdade e respeito aos patrões, até o final de suas vidas.

Com a morte de Zé Rocha e Olívia, Maria intensificou a luta para intensificar os seus seis filhos, mantendo-os com força e amor até a despedida final do nosso meio.

Passou a exercer a profissão de doceira, com dedicação integral, sendo procurada por clientes de vários recantos do Nordeste brasileiro. Fazia questão de enaltecer a profissão, como também ser chamada “Maria da Fazenda”.

Não se pode falar de Lagoa Redonda sem mencionar os nomes dos irmãos Maria e Peixoto. Eles são partes integrantes daquela fazenda histórica do sertão da Paraíba, que hoje só guarda saudades dos tempos de ouro que por lá passamos.

Falo com saudade de Maria da Fazenda, minha amiga, conselheira, a mulher corajosa e dinâmica que nos deixou para morar na companhia dos celestiais, prêmio que recebeu dos deuses, já que só o bem praticou na terra.

Maria da Fazenda, esse nome eu não esqueço.

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