MARINA FREIRE DA SILVA, UMA MÃE EXEMPLAR

11 set 2017

Marinalva Freire da Silva
IPGH-UBE/PB- ALANE/PB-ALAP/RJ

Concordo com Friedrich Nietzche, quando diz: “mães só morrem quando querem. /Em geral,/ as mães,/ mais que amar os filhos,/amam-se nos filhos.”

Marina, mulher–mãe de que fala o Evangelho, verdadeiro significado de família, sustentáculo familiar, extraordinário exemplo de Mulher que jamais mediu esforços para que nada faltasse aos filhos: em casa, na mesa, na educação e na formação de cada um, dedicando amor esmerado, com diálogo para manter a união entre nós. Amava todos por igual.

Marina, mãe esmerada, mulher de fé, esperança, otimismo, sempre atenta para que fôssemos felizes à medida de nossa condição de vida. A maior riqueza que nos deixou como legado foi a honestidade, a concórdia, a generosidade e a vontade de lutarmos por dias melhores (como praticamente todos fizemos e vencemos porque Deus é Amor e não desampara os seus).

Marina, “as lágrimas podem durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Seus ensinamentos religiosos não foram esquecidos e nem os serão porque a fé, de uma maneira ou de outra, impregnou nossos corações. E sempre nos ensinou, juntamente com nosso pai, que “a fé remove montanhas”. Não nos esquecemos de sempre agradecer a Deus pela mãe que tivemos como presente divino.

Marina, uma guerreira destemida. Casou-se aos dezesseis anos, sendo mãe aos dezessete. Deu à luz a oito filhos. Atravessou grandes dificuldades, principalmente em Maceió (AL), quando nosso pai sofreu um grave acidente de trabalho e, além disso, enfrentou uma tromba d’água em 1949, quando eu tinha apenas meses de nascida. Após a recuperação, voltamos à nossa querida Paraíba, nosso porto seguro, onde permanecemos até hoje.

Teve a felicidade de fazer bodas de prata de casamento (1972), mas a alegria durou pouco porque nosso pai adoeceu e faleceu nesse mesmo ano, para a tristeza dela e dos filhos.

Em 1974, perdeu seu pai ( Antônio de Souza); em 1980, sua mãe (Avelina Freire de Lima); em 1990, dois netos (Karla Cristina, em 1990 e Sérgio Roberto, em 2007) ambos filhos de Petrônio, o terceiro filho. O destino é irônico. Devemos estar sempre preparados para enfrentar os vendavais da vida. E essa sempre foi a minha preocupação: preparar-me para enfrentar o que a vida me reserva.

Petrúcio, nosso irmão, filho primogênito, assumiu o lugar de papai no tocante à manutenção da família. Mas a vida nos prepara muitas surpresas desagradáveis: vinte e cinco anos após a morte de papai, Petrúcio cai enfermo.

A essas alturas, já no comando financeiro da família, eu não medi esforços para salvá-lo, mas os desígnios de Deus não são os nossos. A hora dele havia chegado. Partiu para a morada eterna em 1997, deixando duas lindas filhas, Maria Gionara e Daiane, esta, ainda em tenra idade (5 anos incompletos).

Que dor aguda enterrar um filho! Como foi difícil a aceitação! Mas Deus sempre no comando. E Marina era uma mulher forte Porém, Marina mais uma vez deixou de sorrir, viveu outra fase de amargura, sofrimento. Mas, ela recebeu o amor e o carinho dos sete filhos que ainda hoje vivem. Como filha mais velha e estabilizada financeiramente, segui ajudando os irmãos e sobrinhos na educação dos filhos, como fazia mamãe.

Mas, a partida sem volta de Sebastião e Petrúcio, que eram sempre lembrados por mamãe calaram sua voz.. Ela sempre dizia que um dia os encontraria.

Seguiu Marina carregando sua dor e tentando sorrir. Assim, viveu o tempo que lhe restava de vida, em silêncio, rezando nos momentos de lucidez, comunicando-se, às vezes, por gestos. Conversávamos muito com ela, relembrando bons momentos, na tentativa de arrancar-lhe um sorriso pequeno que fosse até que, nos dois últimos anos de vida neste Planeta, decidiu silenciar de vez e fechar os olhos. Apenas, apertava nossas mãos. Como eu sofria com aquele quadro irreversível, mas tentava sorrir, ter sempre uma palavra de apoio para os irmãos, parentes ou amigos que a visitavam.

Marina resolveu partir no dia 05 de maio deste ano (2017) para a tristeza dos que ficaram. Agora, encontra-se em outra dimensão, feliz, protegendo os seus. Entretanto, na minha concepção, ela se encantou, não morreu porque permanece viva no coração dos filhos, netos, bisnetos, noras, genro, irmãos, cunhadas, sobrinhos, afilhados, amigos…Mas a morte é tão necessária quanto a vida. Ela saiu desta vida para viver na eternidade. São Francisco de Assis nos ensina que “é morrendo que se vive para a vida eterna”.

Marina pode repetir com a poetisa Cora coralina: “Eu sou aquela mulher que / fez a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando/flores”.

Marina, a dor a fez mais forte, o medo a fez mais corajosa e a paciência a fez mais sábia. Você foi uma mulher admirável, uma mãe extraordinária. Terá morada eterna nos corações de seus sete filhos.

Quando éramos crianças, papai e você liam a Bíblia para nós. Foram muitos os conselhos e lições de vida que, incansavelmente, muitas vezes, repassava-os aos filhos.

Nunca a vimos nem a ouvimos lamentar-se da vida pelas dificuldades que sempre enfrentou.

A saudade é grande, mas a certeza de que está bem aonde se encontra, junto a papai Sebastião José da Silva), a Petrúcio (filho), a seus pais (Antônio e Avelina), irmãos (Orestes, João, Valter, Milton , Ednaldo e Maria José), sobrinhos (vários) e netos (Karla Cristina e Sérgio Roberto) nos conforta.

Lembro-me quando estava em Madrid (1987), estudando, distante dos familiares, em uma noite invernal, sentindo muitas saudades, escrevi-lhe um poema:

AS LÁGRIMAS
(A Marina, minha querida mamãe)

As lágrimas como o amor
Não têm fronteira
Possuem marco universal
São semelhantes ao orvalho
Principalmente nas horas fagueiras
Quando as temos por desabafo natural.
Não sei por que as pessoas
Se envergonham de chorar
Pois as lágrimas são tão necessárias
Quanto o sorriso.

Feliz de quem ainda conserva
Seu depósito lacrimal
Pois quanto mais a pessoa chora
Mais de lágrimas se abastece.

Infeliz da criatura
Que não sabe mais chorar
É semelhante a quem não sabe sorrir
E não há coisa mais triste
Na vida do ser humano
Do que não saber chorar nem rir.
(Madrid-Espanha, 1987)

A saudade é grande, mas a certeza de que está bem aonde se encontra, junto a papai Sebastião José da Silva), a Petrúcio (filho), a seus pais Antônio e Avelina), irmãos Orestes, João, Valter, Milton , Ednaldo e Maria José) sobrinhos (vários) e netos (Karla Cristina e Sérgio Roberto) nos conforta.

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