Minha Portela

5 mar 2013

Escreveu: Francisco Alves Cardoso – 05/03/2013

Ela vai completar noventa anos de idade. Nasceu em 11 de abril de 1923. Nasceu com as cores azul e branco, tendo como símbolo uma águia. Estou falando da Portela, a maior campeã do carnaval carioca, com vinte e um títulos.

Mesmo atravessando um jejum inexplicável de títulos, ainda faz a sua torcida e fãs os mais felizes dos festejos momescos do Rio de Janeiro.

As cores azul e branco me atraíram para as suas fileiras. A bravura da águia me concedeu a fortaleza para acompanhar os passos dos seus foliões na avenida do sambódromo carioca, o maior reinado do carnaval mundial.

A passagem da Portela na avenida do carnaval é um momento de nova vida para mim, a cada ano, não importando se ganha ou se perde, o importante é consolar minha paixão, sentir uma alegria ardente e dizer com o sambista: “Não posso decifrar aquele azul, se era do céu, ou se era do mar”.

Feliz é o bairro Osvaldo Cruz pela Escola que tem. Feliz é quem torce pelo estandarte que faz bem.

Não se pode falar no carnaval carioca sem relembrar o nome de Paulo da Portela, o folião entusiasta de toda uma geração, fundador da União das Escolas, o carnavalesco que ainda hoje relembra o samba mais sentimental de todos, em sua homenagem: “Chorou Madureira”, de Haroldo Lobo, Milton de Oliveira, Araci de Almeida: “Chorou Madureira, chorou Irajá, Salgueiro, Mangueira, Favela, Portela e Estácio de Sá. Chorou Rizoleta e o mano Edgar, quando Paulo foi pra nunca mais voltar. Toda a cidade sentiu, o tamborim parou quando Paulo da Portela foi embora. A União das Escolas luto fechado votou. E Osvaldo Cruz ainda hoje chora”.

Sou azul e branco, cores da Asa Branca, o pássaro rei de Luiz Gonzaga. Sou azul e branco da Portela de Paulo. Sou azul e branco, as cores do céu.

Sou Portela, gosto dela, vou com ela. Vou com você minha beleza, para o Rio, para o samba, para a alegria, pois com você não tem tristeza, tudo é Portela. Cultura viva, história real.

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